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Há seis décadas na vela, vida de Roque Luiz é o mar

O velejador chega a sua 28ª participação na Refeno

Karoline Albuquerque
Karoline Albuquerque
Publicado em 13/10/2019 às 11:03
Foto: Tuey Lan Bizzocchi/Cabanga
O velejador chega a sua 28ª participação na Refeno - FOTO: Foto: Tuey Lan Bizzocchi/Cabanga
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Será possível fazer a mesma coisa por seis décadas e não cansar? Para o skipper Roque Luiz, é sim. Aos 65 anos de idade, ele tem 61 anos de experiência na vela. O começo foi ainda bem pequeno e, hoje, ele pode dizer que já velejou em todos os bons barcos de competição do Brasil, além de ter muitas histórias para contar. Outro número que prova que Roque não enjoa do que faz é a quantidade de vezes em que participou da Regata Recife Fernando de Noronha (Refeno): em 31 edições, ele chega a sua 28ª.

Foi no mar que ele encontrou um meio de vida. Aos 14 anos, decidiu que daria aulas de vela no Iate Clube do Rio de Janeiro. Pediu para conversar com o diretor e sugeriu o curso. Questionado sobre quem seria o professor, foi curto: “eu”. E os barcos? “Do clube.” “Eu sou altamente competitivo. Vim tocando a vida. Tirei disso um meio, o que eu sei fazer na vida? Fazer faculdade, ter que trabalhar que nem um louco. Não queria largar essa vida, não”, disse. A escola de vela fundada por Roque existe até hoje.

Essa vida no mar também faz do skipper um contador de histórias. Aos 12 anos, fez, por acaso, sua primeira Regata Buenos Aires Rio. “Eu fui levar um barco e na hora de voltar não tinha acompanhante no aeroporto, no avião. ‘Vamo embora, você vai correr com a gente’. Eu já tinha experiência”, relembra.

Há não tanto tempo assim, o seu endereço era o Oceano Pacífico. Foram três anos morando naquelas águas, tendo Fiji como base. No Brasil, ele garante, são poucas as pessoas que têm suas 350 mil milhas navegadas. Cerca de 15 voltas no globo terrestre. “Já rodei. A minha vida, se contar, haja história. Sempre na vela. Porque esse esporte te abre portas. Se você é capaz, as pessoas te querem. É muito legal. Hoje, eu não entro no barco de ninguém se não for profissionalmente”, contou. Roque leva os barcos de um lado para outro no mundo. Para os amigos, o preço pode ser mais camarada.

“Não paro. Venho para o Brasil, termino de arrumar meu barco. Dou sequência. Volto para o Caribe no final de abril. Em maio, atravesso para a Europa mais uma vez e aí começa a temporada européia. Trabalho é o que não falta”, destacou.

Mas, como também gosta de competir, a Refeno é uma grande referência. Roque já correu diversas regatas desafiadoras. Mas, sair de Recife com destino a Fernando de Noronha, é a mais romântica. “Você vai velejando de través e volta de través e chega no paraíso”, resume. E ele pode falar conhecendo bem: Fernando de Noronha é mais bonito que todas as ilhas do Caribe que já visitou. “Todas as outras ilhas estão fatiadas, tudo tem dono, é um descontrole, Não tem ordenamento de beleza que tem em Noronha.”

Ele compete em um catamarã Lagoon 41. Roque lembra que, nas primeiras Refenos, eram apenas dez barcos. “Não tinha muita gente, só barcos locais. São tantas viagens. Hoje, se você me perguntar ‘você mora aonde? Eu digo ‘no mundo’. Na época da regata, estou aqui. Depois, para me achar, deixa recado no WhatsApp que onde eu estiver no mundo, eu respondo”, prometeu o velejador.

Roque Luiz segue no mar. Seja na Refeno, levando barcos ou em outras regatas. Trocar de profissão? Nem pensar. “Essa vida não dá para cansar”, garante o skipper.

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