COBERTURA

Rec-Beat se despede em noite agitada

Último dia do festival contou com os shows de Luiz Melodia, Juçara Marçal e Lucas Santtana

Karoli Pacheco
Karoli Pacheco
Publicado em 18/02/2015 às 5:31
Foto: Ariel Martini/Rec-Beat
Último dia do festival contou com os shows de Luiz Melodia, Juçara Marçal e Lucas Santtana - FOTO: Foto: Ariel Martini/Rec-Beat
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Atualizado às 05h52

Ao passo que os foliões começavam a chegar no Cais da Alfândega, Bairro do Recife, depois de uma terça-feira (17) gorda  e chuvosa, os samples batucados do duo colombiano Mitú também começavam a soar no palco do Rec-Beat. O  público, que aos poucos ocupava a pista situada a  beira do Rio Capibaribe, respondia com animação e familiaridade ao palco deste festival  que em 2014 completa duas décadas.

Como numa conversa entre o som orgânico e o  digital, cujo resultado ensaia o psicodélico, os  músicos Julian Salazar (percussão) e Franklin  Tejedor (sintetizadores), formação do Mitú,  colocaram os recifenses para dançar com suas  combinações de jungle, cúmbia, porro (estilo  musical caribenho), synth-pop, entre outros balanços.

O pólo montado próximo à Livraria Cultura lotou a medida que se aproximava a  interpretação ao vivo da cantora paulista Juçara  Marçal para seu álbum Encarnado, lançado no primeiro semestre de 2014. Velho amarelo foi a música que ela escolheu para  abrir o show estreante no Recife. "Estou feliz que  vocês tenham ficado. Encarnado é para os fortes",  sentenciou, se referindo a resistência do público que se molhava ao assistir à apresentação.

Em cena, com uma iluminação sóbria assinada pelo ligth designer veterano no Rec-Beat Jathyles Miranda, Juçara deu vez e luz a poesia de seu trabalho solo - antes do  show, em conversa nos bastidores com a VJ Milena Sá, ela havia reiterado: não havia a necessidade de projeção de vídeo durante a execução das canções Odoya, Ciranda do aborto e Canção pra ninar Oxum.  Acompanhada pelas cordas eminentes dos músicos Kiko Dinucci (guitarra), Rodrigo Campos (guitarra) e Thomas Rohrer (rabeca), todos sentados ao seu lado esquerdo, a moderação cenográfica escolhida pela cantora se  justificava - em sua música, mesmo no palco, haveria ilustração para além dos aparatos. Houve ainda espaço para os covers presentes no disco Não tenha ódio no verão, de Tom Zé, e E o quico?, de Itamar Assumpção.

O show de Keziah Jones soou tanto como zebra quanto surpresa. O público clamou por Rhythm is love, sua canção mais popular no YouTube. Sozinho e seguro com sua guitarra, o músico nigeriano concordou, entoando o som que ele batizou de "blufunk", entre dedilhadas e batuques nas cordas do instrumento. O ápice, no entanto, ocorreu quando Keziah já não estava no palco, ao espalhar-se os timbres da voz e do violão Nekka. Ao fim e ao cabo, o que seria uma participação especial, com a interpretação de três músicas pela cantora ­- uma das quais, o reggae existencial My home ­-, encerrou-se sem Jones se despedir. "Foi uma supresa. Todos esperavam ele voltar, ficamos sem entender. Me pareceu que ela roubou a cena", afirmou o produtor Antonio Gutierrez, Gutie, ao final da noite. De acordo com ele, a empatia com o público recifense sugere que a musicista retorne, quiçá, ao palco do festival.

Com muito suíngue, Lucas Santtana não deixou por menos e abriu seu concerto tocando o Funk dos bromânticos. Seu som híbrido, garantido por uma banda que passeia do acústico ao eletrônico, colocou suíngue na pista. A chuva já não caia quando o cantor baiano, fantasiado de mulher assim como seus companheiros de som, executava as canções de Sobre noites e dias, seu último e bem quisto disco. Muito à vontade em solo pernambucano, o showman levou fãs ao palco para dançar e concorrer a um CD.

Luiz Melodia subiu ao palco um pouco depois de sua banda ter se instalado. Quem é rei não perde a majestade; quem é Melodia não perde a maestria. O repertório contemplou clássicos como Diz que fui por aí, Pérola negra, Magrelinha e Maracangaia, além de contar com um arranjo especial, rimado e ritmado em rap, interpretado pelo filho do compositor, o rapper Mahau. Abarcando o público da tenda eletrônica que não existe mais, na última apresentação deste ano do festival, Nego Moçambique embalou com ritmos como breakbeat, miami bass, house e afrobeat a dança de quem preferiu estivcar a despedida do carnaval.

RECBITINHO

No palco-picadeiro montado na praça de eventos do Paço Alfândega, as crianças marcaram presença no Recbitinho. Logo às 17h, houve a apresentação do espetáculo Alice e o mago, coproduzido por Itália e Brasil pelo grupo Cia Il Bianconiglio Circo Teatro.

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