A Polícia Civil de Minas Gerais recolheu nesta terça-feira (17) na sede da Samarco, em Mariana (124 km de Belo Horizonte), documentos relativos à barragem do Fundão, que se rompeu no dia 5.
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A barragem pertence à mineradora Samarco, fruto da sociedade entre a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton. A lama com rejeitos de minério soterrou vilarejos de Mariana, principalmente o subdistrito de Bento Rodrigues.
Sete mortos foram identificados e 12 pessoas estão desaparecidas - há ainda quatro corpos aguardando identificação. O material denso de lama tem provocado a mortandade de peixes ao espalhar-se pela bacia do rio Doce. Nesta terça, a lama atingiu o Espírito Santo, e deve chegar nos próximos dias ao mar capixaba.
Entre os documentos recolhidos pela polícia, está o Plano de Ação de Emergência, previsto na lei 12.334, de 2010. O texto precisa detalhar como a empresa deve agir em caso de acidente na obra.
Uma das críticas da tragédia em Mariana é que moradores não foram avisados a tempo e não havia sirenes instaladas para alertar da ruptura da barragem. A empresa diz ter alertado prefeitura, Defesa Civil e alguns moradores por telefone.
A polícia também está ouvindo moradores dos subdistritos atingidos pela lama e familiares de desaparecidos. Representantes da empresa ainda devem ser convocados a depor.
O delegado de Mariana, Rodrigo Bustamante, disse que deve pedir sigilo nas investigações e não quis dar detalhes dos documentos nem das informações prestadas pelos depoentes.
Desde a ruptura das barragens, no dia 5, a reportagem tem solicitado à Samarco uma cópia do plano de ação de emergência e a lista das pessoas avisadas por telefone no momento do acidente, mas não houve resposta. A mineradora foi procurada novamente nesta quarta, também sem sucesso.