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Reta final para o Enem tem foco na redação

Desde 2009, os temas apresentados para a redação vieram de notícias atuais e relacionadas a problemas que atingem a sociedade brasileira

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Publicado em 31/10/2016 às 8:28
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Desde 2009, os temas apresentados para a redação vieram de notícias atuais e relacionadas a problemas que atingem a sociedade brasileira - FOTO: Foto: Marcos Santos/USP Imagens
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Fator determinante para garantir uma vaga nas universidades, a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ganhou atenção extra nos colégios de São Paulo nas últimas semanas antes da prova, que acontece no próximo sábado e domingo. As escolas, que já usam estratégias como correções feitas por especialistas de fora, análises estatísticas e debates, recomendam agora que os alunos leiam e escrevam com frequência, para que cheguem preparados para superar qualquer tema.

Simone Motta, professora de Português do cursinho Etapa, na zona sul de São Paulo, destaca que a principal característica da redação do Enem é exigir do aluno uma proposta de intervenção ao tema apresentado, o que faz com que estar atualizado sobre o contexto brasileiro e ter um bom repertório sejam determinantes para conseguir uma boa nota na redação.

"A elaboração de uma proposta como essa exige maturidade, linha de raciocínio e boa leitura de mundo do candidato."

Desde 2009, os temas apresentados para a redação vieram de notícias atuais e relacionadas a problemas que atingem a sociedade brasileira.

"Justamente por ser um assunto problemático, já pressupõe que seja possível uma proposta de intervenção. Mas o candidato deve se assegurar que sua proposta seja factível", explica Simone. 

Segundo ela, o uso de proposições genéricas como "precisamos educar as pessoas" ou "se cada um fizer a sua parte o problema será resolvido" pode fazer com que o candidato perca pontos e até mesmo tire zero na redação. A dica, segundo Simone, é pensar que a intervenção deve envolver propostas com resultados a curto, médio e longo prazos.

Maria Aparecida Custódio, professora de redação do colégio Objetivo, na região central de São Paulo, afirma que, para o aluno chegar à prova preparado, é preciso não só estar atualizado, mas ter lido opiniões diversas, para que tenha formado seu próprio senso crítico e saiba sustentá-lo. "O candidato precisa ter claro que a proposta de intervenção não é o mesmo que uma conclusão. Por isso, ele precisa escolher e integrar os argumentos usados anteriormente para sustentar sua proposta."

Segundo Maria Aparecida, os temas cobrados nas últimas seis edições não trouxeram "pegadinhas". "São assuntos com os quais a maioria está familiarizada. Além disso, os textos de apoio já dão uma indicação de qual caminho seguir. O candidato só precisa mobilizar seus repertórios histórico, cultural, literário e sociológico para apresentar bons argumentos", diz.

Luiz Eduardo Caneschi, de 20 anos, aluno do Objetivo, afirma que assistiu muitas palestras e participou de debates sobre assuntos atuais para garantir uma boa redação na prova. "Como estive muito ligado nas principais notícias deste ano, estou preparado para qualquer tema. O importante é que meu repertório seja bem utilizado no desenvolvimento da redação", afirma o estudante que quer ser médico.

Direitos Humanos

O desrespeito aos direitos humanos é um dos motivos que podem fazer o candidato zerar a redação, segundo o edital da prova. A Cartilha do Participante do Enem exemplifica como violações casos em que o aluno defende propostas com a intenção de cercear a liberdade de expressão ou que incite a violência ao defender justiça com as próprias mãos.

"O Enem é o maior vestibular do País e tem uma função social muito importante, por isso, tem obrigação de cobrar uma visão humana do candidato e fazer a escola ter um papel de formação humanística, e não só de conhecimentos", afirma Simone.

Cristiane Siniscalchi, coordenadora de Linguagem do Móbile, diz que a redação do Enem exige que o aluno esteja preparado para enxergar as questões apresentadas sob diversos pontos de vista. "O aluno precisa contextualizar a questão apresentada com a garantia dos direitos humanos e não pode tratá-la de forma individualista." Ela recomenda que candidatos tomem cuidado com frases de duplo sentido, que podem ser mal interpretadas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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