Violência

Vereadora do PSOL é morta a tiros no Rio de Janeiro

Marielle Franco foi alvejada dentro do carro. O motorista do veículo também morreu

Amanda Azevedo
Amanda Azevedo
Publicado em 14/03/2018 às 22:50
Foto: Reprodução / Facebook
Marielle Franco foi alvejada dentro do carro. O motorista do veículo também morreu - FOTO: Foto: Reprodução / Facebook
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Atualizada à 00h20 do dia 15/3

A vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) foi morta a tiros nesta quarta-feira (14), na rua Joaquim Palhares, no Centro do Rio de Janeiro. De acordo com a polícia, ela foi alvejada dentro do carro. A vereadora e um motorista, que a acompanhava, morreram no local. Uma assessora da vereadora foi atingida por estilhaços. A Delegacia de Homicídios, que está à frente do caso, tem como principal linha de investigação a execução.

Uma ambulância do quartel central do Corpo de Bombeiros foi acionada para o local e constatou a morte da parlamentar e do motorista. A vereadora estava indo para casa no bairro da Tijuca, zona norte do Rio, voltando de um evento ligado ao movimento negro, na Lapa, quando um veículo parou ao lado do carro dela e dois bandidos dispararam. O carro da vereadora ficou com várias marcas de tiros.

PSOL lamenta assassinato da vereadora Marielle Franco no Rio

A assessora Fernanda Chaves sobreviveu ao ataque e não teria sofrido nenhum tiro, segundo o Corpo de Bombeiros. Marielle voltava de um evento chamado “Jovens negras movendo as estruturas”, na Lapa, quando, de acordo com testemunhas, teve o carro emparelhado por outro veículo, de onde partiram os tiros.

Há duas semanas, Marielle havia assumido relatoria da Comissão da Câmara de Vereadores do Rio criada para acompanhar a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Ela vinha se posicionando publicamente contra a medida.

A parlamentar também chegou a denunciar, em suas redes sociais, no fim de semana, uma ação de policiais militares na favela do Acari. “O 41º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. (…) Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior”, escreveu.

A PMERJ confirmou a operação e argumentou que criminosos atiraram contra os policiais e houve confronto. Durante vasculhamento na comunidade, dois homens foram presos e houve apreensão de um fuzil calibre 7,62 mm e oito rádios comunicadores, segundo nota da corporação.

Trajetória

Eleita com 46,5 mil votos, a quinta maior votação para vereadora nas eleições de 2016, Marielle Franco estava no primeiro mandato como parlamentar. Oriunda da favela da Maré, zona norte do Rio, Marielle tinha 38 anos, era socióloga, com mestrado em Administração Pública e militava no tema de direitos humanos.

Prefeito

O prefeito Marcelo Crivella se manifestou sobre a morte da vereadora Marielle Franco. "É com profundo pesar que lamentamos o brutal assassinato da vereadora Marielle Franco, cuja honradez, bravura e espírito público representavam, com grandeza inigualável, as virtudes da mulher carioca. Sua trajetória exemplar de superação continuará a brilhar como uma estrela de esperança para todos que, inconformados, lutam por um Rio culto, poderoso, rico, mas, sobretudo, justo e humano. Em cada lar uma prece, em cada olhar uma lágrima e em cada coração um voto de tristeza, dor e saudade. É assim que hoje anoitece a cidade desolada e amargurada pela perda de sua filha inesquecível e inigualável. Que Deus a tenha!”

Marielle nasceu no Complexo da Maré

Marielle nasceu no Complexo da Maré e era socióloga formada pela PUC-Rio. Ela foi a 5ª vereadora mais votada no Rio de Janeiro nas eleições de 2016, com mais de 40 mil votos. A vereadora também coordenou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

No último sábado (10), Marielle Franco chegou a denunciar uma ação de policiais do 41º BPM (Irajá) na favela de Acari. De acordo com ela, a população reclamou da truculência da polícia durante abordagens aos moradores.

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