oriente médio

Execução desencadeia rara manifestação contra jihadistas na Síria

Ataques aéreos tinham como alvo os jihadistas, mas mataram oito civis, incluindo duas crianças

Karol Albuquerque
Karol Albuquerque
Publicado em 05/09/2014 às 16:55
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Os combatentes do grupo ultra-radical Estado Islâmico (EI) executaram nesta sexta-feira (5) um jovem em uma cidade no leste da Síria, após uma rara manifestação que reuniu centenas de pessoas exigindo a saída do grupo jihadista, informou uma ONG síria.

A cidade de al-Ashara, localizada na província de Deir Ezzor, em grande parte controlada pelo EI, foi atingida na quinta-feira pelos bombardeios do exército sírio, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Os ataques aéreos tinham como alvo os jihadistas, mas mataram oito civis, incluindo duas crianças, irritando os moradores que se reuniam à noite em frente à sede do EI para exigir a saída do grupo da cidade, informou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Em resposta a este protesto, os combatentes do EI abriram fogo e detiveram vários manifestantes jovens, de acordo com o OSDH e ativistas. Nesta sexta-feira, um deles foi executado e crucificado em público pelos jihadistas, que o acusaram de "heresia e apostasia", relatou o OSDH.

Os jihadistas "o executaram publicamente para aterrorizar a população e desencorajar qualquer ação contra eles", disse Abdel Rahman, afirmando que o menino "não tinha nada a ver" com o acontecido.

O OSDH denuncia a campanha da Força Aérea síria nas últimas semanas visando cidades controladas pelos jihadistas no norte e no leste da Síria, e que, de acordo com a organização, fizeram muitas vítimas civis.

A manifestação de quinta-feira "começou com o funeral das vítimas (dos ataques aéreos)", explicou Rayan al-Furati, um ativista em Deir Ezzor.

A multidão "começou a protestar, exigindo que o EI se retirasse de al-Ashara", relatou, garantindo que os métodos ultrarradicais do grupo são extremamente impopulares na cidade.

No entanto, o terror desencoraja as pessoas a tomar qualquer ação contra esses jihadistas, acrescentou. "Não passa um dia sem uma execução na província de Deir Ezzor", disse o ativista, falando sob um pseudônimo.

O EI proclamou um "califado" em junho nos territórios que controla no Iraque e na Síria.

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