Líbia

Soldados e islamitas travam violentos combates na Líbia

Líbia afundou no caos desde que seu líder, Muanmar Kadhafi, foi deposto em uma revolta há três anos

Giovanna Torreão
Giovanna Torreão
Publicado em 03/10/2014 às 11:58
Foto: MAHMUD TURKIA / AFP
Líbia afundou no caos desde que seu líder, Muanmar Kadhafi, foi deposto em uma revolta há três anos - Foto: MAHMUD TURKIA / AFP
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Dezenas de soldados que tentavam defender um aeroporto de Benghazi morreram e outras dezenas ficaram feridos em atentados com carros-bomba e confrontos com islamitas, anunciou nesta sexta-feira o exército, enquanto a ONU ameaçava com sanções.

A Líbia afundou no caos desde que seu líder, Muanmar Kadhafi, foi deposto em uma revolta há três anos, e as autoridades interinas precisam enfrentar poderosas milícias que lutaram para destituí-lo.

Os soldados mortos na quinta-feira em combates ao redor do aeroporto de Benghazi eram leais a um importante ex-general, Khalifa Haftar, que lançou uma campanha militar contra a milícia islamita em maio.

Trinta e seis soldados morreram na quinta-feira e mais de 70 ficaram feridos em três atentados com carros-bomba, assim como em confrontos entre o exército e islamitas, declarou à AFP um porta-voz militar.

Dois carros-bomba explodiram quando um comboio militar viajava perto do aeroporto, matando três soldados, disse o porta-voz. Uma terceira bomba explodiu pouco depois nas proximidades.

As explosões foram seguidas por violentos combates no bairro de Benina, que dá seu nome ao aeroporto.

As forças leais a Haftar disseram que haviam obrigado os combatentes islamitas que lançaram o ataque a retroceder, acrescentando que os atacantes sofreram fortes perdas em pessoas e equipamentos.

O Parlamento da Líbia, que foi eleito em junho, é reconhecido pela comunidade internacional, mas impugnado pelas milícias que controlam Trípoli, a capital, e por islamitas que ocupam a maior parte da cidade de Benghazi (leste).

Em Benghazi, o berço do levante contra Kadhafi, são registrados regularmente não apenas confrontos, mas também assassinatos de membros das forças de segurança, de militantes políticos e jornalistas.

Os islamitas tentam desde setembro se apoderar do aeroporto de Benghazi, o último reduto da cidade nas mãos das forças leais ao ex-general Haftar.

Os soldados que respondem a Haftar foram empurrados para fora da cidade, instalando-se em posições nos arredores de Benghazi e lançando ocasionalmente ataques aéreos contra alvos islamitas.

Um relatório recente da organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) afirmou que durante o ano mais de 250 pessoas foram assassinadas em Benghazi e Derna (leste), dois redutos dos islamitas radicais.

Ninguém reivindicou estes assassinatos que podem ser considerados crimes de guerra, segundo a HRW.

ONU ameaça com sanções

Na quarta-feira, milicianos do Conselho Revolucionário da Shura, que inclui o grupo islamita Ansar al-Sharia, lançaram um novo ataque contra o aeroporto, que tem pistas de decolagem tanto civis quanto militares.

Washington considera que o Ansar al-Sharia é uma organização terrorista.

Em Nova York, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) ameaçou na quinta-feira impor sanções às pessoas que rejeitam a paz na Líbia, em uma tentativa de sustentar negociações auspiciadas pelo organismo para terminar com a violência.

Os 15 membros do Conselho "disseram estar prontos para usar sanções precisas, incluindo o congelamento de ativos e proibições de viagem, contra indivíduos ou entidades que ameacem a paz e a estabilidade na Líbia ou que minem sua transição política".

O enviado especial da ONU, Bernardino Leon, realizou a primeira rodada de negociações com políticos rivais líbios no dia 29 de setembro, descrita pelo Conselho como um passo importante na direção de uma resolução pacífica na Líbia.

Mas a milícia Fajr Libia que controla Trípoli rejeitou as negociações e declarou em um comunicado que continuará com suas operações militares.

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