Julgamento

Defesa de Pistorius sugere serviço comunitário para atleta

Ainda não foi definido quando será a sentença do campeão paraolímpico

Da AFP
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Publicado em 13/10/2014 às 16:28
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Ainda não foi definido quando será a sentença do campeão paraolímpico - FOTO: Foto: AFP
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A defesa de Oscar Pistorius apresentou duas testemunhas para fundamentar o pedido de uma pena moderada: uma psicóloga, que afirmou que o remorso sentido pelo atleta é sincero, e um funcionário de serviços sociais corretivos, que sugeriu uma correção supervisionada, com realização de serviço comunitário.

A defesa de Pistorius foi a primeira a falar na retomada do julgamento, que ainda deve definir a sentença do campeão paraolímpico, por homicídio culposo (sem intenção de matar), pela morte a tiros da namorada Reeva Steenkamp, em fevereiro de 2013.

"Estamos diante de um homem devastado, que perdeu tudo que tinha", explicou a psicóloga Lore Hartzenberg, que acompanhou Pistorius após o drama. "Ele perdeu a reputação moral e profissional, ele perdeu amigos, ele perdeu a carreira e, por consequência, a possibilidade de ganhar sua vida e sua independência financeira".

De acordo com a psicóloga, Pistorius mostrou-se incapaz de falar em várias sessões de terapia, contentando-se em chorar copiosamente, e apresentou "um verdadeiro sentimento de remorso" pelo acontecido.

O promotor Gerrie Nel, evidentemente, contra-atacou ao afirmar que a família Steenkamp também estava devastada. "Ele pode estar devastado, mas pelo menos está vivo", argumentou.

Em seguida, a defesa do atleta apresentou o funcionário de serviços sociais corretivos Joel Maringa, que provocou a ira do promotor ao sugerir que Pistorius fosse condenado a um trabalho de serviço comunitário de 16 horas por mês e cumpra prisão domiciliar durante três anos.

"O acusado deveria ser sentenciado à correção supervisionada e teria a possibilidade de se reestruturar e de modificar seu comportamento", explicou Maringa, que tem como objetivo desafogar o sistema carcerário sul-africano, que sofre de superpopulação nas prisões.

Nel, que luta para que Pistorius pegue pena máxima pelo crime, ou seja, 15 anos de prisão, descreveu as recomendações de Maringa como "extremamente impróprias e chocantes".

Pistorius, que matou a namorada com quatro tiros pela porta do banheiro de sua residência em Pretória, afirmou acreditar estar atirando num ladrão. A juíza responsável pelo caso aceitou essa versão, julgando-o culpado por homicídio culposo não premeditado.

As audiências devem se estender por alguns dias e o promotor terá a oportunidade de trazer testemunhas para depor contra o atleta paraolímpico. Um veredito deverá ser anunciado até este fim de semana. 

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