Tribunal

Condenado pelo 11/9 diz que realeza saudita apoiou Al-Qaeda

Zacarias Moussaoui revelou ter conhecido no Afeganistão um oficial da embaixada saudita em Washington

AFP
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Publicado em 04/02/2015 às 20:58
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O único condenado da Al-Qaeda por participar dos ataques do 11 de Setembro disse a advogados americanos que membros da família Real saudita fizeram doações milionárias ao grupo nos anos 1990.

O cidadão francês Zacarias Moussaoui, apelidado de "20º sequestrador", fez a denúncia em documentos judiciais apresentados em um tribunal federal de Nova York por advogados das vítimas dos ataques. Os demandantes acusam a Arábia Saudita de financiar a Al-Qaeda.

Moussaoui contou ter criado uma base de dados digital com os doadores da Al-Qaeda, incluindo membros da família real, como o ex-chefe da Inteligência saudita, o príncipe Turki al-Faisal, e o príncipe Bandar bin Sultan, embaixador da Arábia Saudita nos Estados Unidos por 22 anos, até 2005.

Zacarias Moussaoui revelou ter conhecido no Afeganistão um oficial da embaixada saudita em Washington para discutir os planos de ataque aos Estados Unidos. Ele deveria encontrá-lo novamente em Washington para ajudá-lo a derrubar o "Air Force One", como é chamado o avião que leva o presidente dos EUA.

Ele afirmou ainda que havia ligações diretas entre os altos oficiais sauditas e Osama bin Laden, e que levou duas vezes cartas redigidas pelo próprio líder da Al-Qaeda para altos escalões sauditas, incluindo o príncipe Turki.

A embaixada saudita em Washington nega as acusações.

"O ataque do 11 de Setembro é o crime mais investigado na História e não foi apontado qualquer envolvimento do governo, ou das autoridades sauditas", anunciou a embaixada em um comunicado.

A representação saudita classificou Moussaoui "de criminoso perturbado, cujos próprios advogados apresentaram provas de que ele era mentalmente incapaz".

De fato, no julgamento realizado em 2006 e no qual foi condenado criminalmente, a defesa alegou que o réu sofria de esquizofrenia paranoide. Na corte, inclusive, ele apresentou um comportamento imprevisível.

Um psicólogo convocado pela defesa testemunhou no julgamento e disse que Moussaoui tinha sintomas clássicos de esquizofrenia.

Moussaoui se declarou culpado de participar da organização do maior atentado da História dos Estados Unidos e se encontra em uma prisão de segurança máxima no Colorado (sudoeste do país).

Nas 127 páginas transcritas, Moussaoui afirmou que o dinheiro doado pela família Real foi crucial para a Al-Qaeda no fim da década de 1990.

"O xeque Osama queria manter um registro de quem doava dinheiro (...) a quem tinha de ouvir, ou quem contribuía para a Jihad", relata Moussaoui.

As doações variavam de US$ 2 milhões a US$ 3 milhões, segundo o condenado.

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