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Charlie Hebdo volta à publicação normal em meio a problemas

O número 1.179 do jornal tem tiragem de 2,5 milhões de exemplares

Folhapress
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Publicado em 25/02/2015 às 21:25
Foto: PHILIPPE HUGUEN / AFP
O número 1.179 do jornal tem tiragem de 2,5 milhões de exemplares - FOTO: Foto: PHILIPPE HUGUEN / AFP
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O jornal satírico francês "Charlie Hebdo" retomou seu ritmo normal de publicação, semanal, e chegou às bancas da França nesta quarta-feira (25), sete semanas depois do atentado que deixou 12 mortos na sua sede, em Paris.

O número 1.179 do jornal tem tiragem de 2,5 milhões de exemplares -era de 60 mil antes do ataque e chegou a 8 milhões, recorde na França, na edição de 14 de janeiro, primeira após a morte de seu diretor, o cartunista Charb, e de outros colaboradores.

Segundo relatos da mídia francesa, a explosão nas vendas, somada às doações, fez com que o "Charlie Hebdo" arrecadasse o equivalente a cerca de R$ 33 milhões.

O jornal francês "Le Monde", porém, diz que há uma briga pelo controle acionário do jornal entre os cartunistas sobreviventes e os herdeiros dos que foram mortos. Além disso, o semanário enfrenta dificuldades para contratar novos cartunistas, devido ao medo de novos atentados.

TORCIDA PELO TOURO

A capa do novo número traz o desenho de um cão com um exemplar do "Charlie Hebdo" entre os dentes, perseguido por cachorros enraivecidos -entre eles, Marine Le Pen, líder da extrema direita francesa, um jihadista com fuzil entre os dentes e o papa Francisco.

Desta vez, melhorias na distribuição evitaram a formação de filas nas bancas parisienses, cujos vendedores esperavam maior público. Segundo a agência Efe, muitas bancas se recusaram a vender mais de um exemplar por pessoa, embora tivessem pilhas do jornal nas prateleiras.

A edição faz várias referências ao atentado, mas seus novos chefes afirmam que querem recuperar o ritmo normal da publicação, o que pressupõe diversificação de temas.

"Todos apoiaram o 'Charlie', mas poucos estariam dispostos a desenhar e publicar uma caricatura blasfema", escreveu o novo diretor do jornal, Riss --aludindo às caricaturas de Maomé apontadas como motivo do ataque por seus autores, os irmãos Chérif e Said Kouachi, mortos pela polícia em 9 de janeiro.

Para Riss, o povo apoia "Charlie" como quem torce pelo touro em uma tourada.

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