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Austrália se compromete a reduzir em 26% emissões de CO2 até 2030

O primeiro ministro declarou que não aposta em um "fechamento maciço" da atividade do carvão

Da AFP
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Publicado em 11/08/2015 às 13:00
Foto: William West/AFP
O primeiro ministro declarou que não aposta em um "fechamento maciço" da atividade do carvão - FOTO: Foto: William West/AFP
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A Austrália quer reduzir suas emissões de CO2 em ao menos 26% até 2030 em relação aos níveis de 2005, anunciou nesta terça-feira (11) o primeiro-ministro Tony Abbott, uma meta criticada pelos ambientalistas, que estimam que o esforço é insuficiente.

Este objetivo se situa na média dos estabelecidos pelos países com um nível econômico comparável, meses antes da conferência do clima de Paris, onde deve ser alcançado um acordo mundial para limitar o aquecimento do planeta, defendeu Abbott.

"Tomamos a decisão de que nosso objetivo para 2030 se situe entre 26% e 28%", declarou aos jornalistas em Canberra o primeiro-ministro, ressaltando que o objetivo fixo é de 26%, mas que, segundo as circunstâncias, pode aumentar a 28%.

A Austrália reiterou em várias ocasiões que as projeções do crescimento econômico e o estado de seu importante setor minerador contarão para determinar seu objetivo.

Neste sentido, Abbott declarou que não aposta em um "fechamento maciço" da atividade do carvão.

"É um bom objetivo, sólido, responsável do ponto de vista econômico, responsável do ponto de vista ambiental", explicou.

A Austrália, país de 23 milhões de habitantes onde o carvão desempenha um papel importante em sua produção energética, é um dos principais emissores de gases de efeito estufa por habitante.

"Está levemente abaixo do apresentado pela Europa. É mais ou menos o mesmo que o dos Estados Unidos. É muito melhor que o da Coreia", disse Abbott. "Nosso objetivo de entre 26% e 28% é melhor que o do Japão. É quase o mesmo que o da Nova Zelândia. Está levemente abaixo do Canadá".

"Não estamos na liderança, mas também não estamos lá atrás", disse Abbott.

A conferência sobre o clima prevista para Paris em dezembro busca limitar a 2ºC o aquecimento do planeta acima do nível da era pré-industrial.

Críticas de ambientalistas

Os ambientalistas acusaram a Austrália de não fazer esforços suficientes para frear poluição, que é considerada a causa das mudanças climáticas. Segundo eles, o governo de Abbott não faz uma contribuição justa.

"Estes objetivos são muito inadequados para proteger os australianos dos impactos das mudanças climáticas e não representam uma contribuição justa para os esforços que são feitos em todo o mundo para controlar as mudanças climáticas", estimou Tim Flannery do Conselho do Clima, uma organização independente.

A delegação australiana da organização ambientalista WWF disse que o objetivo marcado pela Austrália estava abaixo dos esforços feitos pelos Estados Unidos, que prometeram reduzir as emissões dos gases de efeito estufa em 2025 em um nível de 26% a 28% em relação a 2005.

"Se cada país faz esforços como os da Austrália, o mundo pode se encaminhar a um aumento das temperaturas de entre três e quatro graus", estimou Kellie Caught, da organização WWF.

Will Steffen, especialista sobre o clima desta instituição, disse que o objetivo da Austrália não é muito diferente dos impostos por Canadá e Japão, mas que está muito atrás das promessas realizadas pelos Estados Unidos e pela UE.

"Está na parte baixa da margem dos países desenvolvidos", estimou.

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