Muçulmanos e forças de segurança israelenses se enfrentaram nesta terça-feira pelo terceiro dia consecutivo na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém.
Os confrontos aconteceram ao redor da mesquita de Al-Aqsa entre jovens palestinos que atiravam pedras contra policiais israelenses, que entraram na Esplanada e responderam com bombas de efeito moral.
"A polícia tomou de assalto a mesquita de Al-Aqsa e chegou até os pés do púltipo de Saladino, antes de sair por causa da resistência que encontraram no interior do templo", informou Firas al Dibs, da Waqf, organização que administra o local.
"Este é o dia mais violento", declarou ainda.
No entanto, a polícia assegura que não entrou na mesquita e que apenas dispersou as pessoas entrincheiradas e que impediam o fechamento das portas do templo.
A Esplanada, conhecida pelos judeus como o Monte do Templo, é cenário de confrontos desde domingo (13). A Mesquita de Al-Aqsa é o terceiro lugar mais sagrado para o Islã.
Os episódios de violência são frequentes, pois os muçulmanos temem que o governo israelense modifique o 'status quo' do terceiro local sagrado do islã e autorize que os judeus rezem na Esplanada.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, repetiu no domingo que o 'status quo' não será alterado. Ele deve se reunir com seu gabinete para discutir a questão.
A tensão acontece por ocasião do Ano Novo judaico. As celebrações começaram no domingo e devem terminar nesta terça-feira (15) à noite.
Os muçulmanos temem uma tentativa de Israel de mudar as normas de administração do local, estimulada por grupos de extrema-direita judeus que exigem um acesso maior ou até mesmo a construção de um novo templo.
Os não muçulmanos têm permissão de visitar a Esplanada, mas os judeus estão proibidos de rezar ou exibir símbolos nacionais no local, uma medida para evitar ainda mais tensão com os muçulmanos.
A dirigente palestina Hanan Ashrawi afirmou que Israel cria deliberadamente instabilidade para poder anexar totalmente a Esplanada. Além disso, fez um apelo à comunidade internacional "antes que Israel consiga provocar uma guerra santa global".
Os Estados Unidos condenaram na segunda-feira "todos os atos de violência" no local e pediram a Israel e a Autoridade Palestina para evitarem qualquer "ato de provocação".
Em uma declaração lida no início de uma entrevista coletiva, em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, expressou "a profunda inquietação" do governo americano e chamou israelenses e palestinos e "preservar o status quo" de 1967 na ultrassensível Esplanada das Mesquitas.
"É absolutamente essencial que todas as partes atuem com moderação, se abstenham de atos de provocação e retórica e mantenham inalterado o histórico statu quo no Haram Al Sharif (Monte do Templo), de palavra e na prática", destacou Kirby.
Mais cedo, o rei Abdullah da Jordânia advertiu Israel contra qualquer nova provocação na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém.
"Qualquer nova provocação em Jerusalém afetará as relações entre Jordânia e Israel (...) A Jordânia não terá outra saída a não ser tomar medidas, lamentavelmente", advertiu em inglês o rei diante dos jornalistas presentes após um encontro com o primeiro-ministro britânico, David Cameron.
A Jordânia é a guardiã da Esplanada das Mesquitas segundo o "status quo" de 1967.
As visitas de não muçulmanos ao local aumentam durante as férias judaicas, com cerca de 650 visitantes registrados no domingo, segundo a polícia. Outras 500 pessoas foram ao local na segunda-feira entre as 07H30 e as 11H00, o horário de visitas.
As cerimônias do Ano Novo Judaico (Rosh Hashanah) começaram no domingo à noite e devem terminar na terça-feira.
O ministro da Agricultura israelense, Uri Ariel, de ultra-direita, estava entre os ativistas que visitaram o local no domingo, segundo a imprensa.
O ministério da Defesa decidiu proibir a entrada no local dos grupos muçulmanos Murabitat e Murabitun - que afirmam defender a Esplanada das Mesquitas - para proteger "a segurança do Estado, o bem-estar e a ordem pública".
Nos distúrbios de domingo, testemunhas afirmaram que a polícia entrou na mesquita de forma violenta e provocou danos. A polícia alega que se limitou a fechar as portas para evitar que as pessoas que estavam do lado de dentro atirassem pedras e outros objetos.
As forças de segurança israelenses já haviam usado a mesma tática no ano passado para tentar restabelecer a calma, entretanto de forma breve a mesquita.
O presidente palestino, Mahmud Abbas, condenou a ação da polícia israelense ao recordar que locais como Al-Aqsa constituem uma "linha vermelha".
Israel conquistou Jerusalém Oriental, onde fica a Esplanada das Mesquitas, durante a guerra dos Seis Dias de 1967 e mais tarde a anexou a seu território, uma medida jamais reconhecida pela comunidade internacional.