TURQUIA

Presidente turco acusa EUA de provocarem ''rio de Sangue'' no Oriente Médio

Erdogan criticou a política de Washington, durante uma reunião na capital turca, Ancara

Da ABr
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Publicado em 10/02/2016 às 12:43
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Erdogan criticou a política de Washington, durante uma reunião na capital turca, Ancara - FOTO: Foto: AFP
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O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, criticou nesta quarta-feira (10) o apoio militar dos Estados Unidos às milícias curdas na Síria e assegurou que a política norte-americana de alianças regionais provocou “um rio de sangue”.

Erdogan criticou a política de Washington, durante uma reunião na capital turca, Ancara, depois que um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos ter dito que não considera o Partido da União Democrática (PYD, a formação dos curdos na Síria), uma organização terrorista.

“América: há alguma diferença entre o PYD e o PKK [Partidos dos Trabalhadores do Curdistão, a guerrilha curda da Turquia considerada terrorista pelos EUA]? Nós afirmamos que [o PYD] é uma organização terrorista. América: já dissemos isso várias vezes. Vocês estão conosco ou com as organizações terroristas PYD e YPG [braço armado do PYD]?”, disse o Erdogan.

“Vocês não têm de nos explicar quem são o PKK, o PYD ou o YPG. Nós conhecemos muito bem. Também conhecemos muito bem o Estado Islâmico. Mas vocês não os conheciam até agora. Por isso a região é um rio de sangue”, criticou o presidente turco.

Os Estados Unidos têm fornecido apoio aéreo às milícias curdas da Síria, que consideram a força terrestre mais eficaz no país contra o Estado Islâmico.

A cooperação entre Washington e as milícias curdas da Síria provocou tensões diplomáticas com a Turquia, que considera o PYD “vinculado” ao PKK, uma organização considerada terrorista pela Turquia, Estados Unidos e União Europeia.

O embaixador dos EUA na Turquia, John Bass, foi convocado na terça-feira (9) ao ministério dos Negócios Estrangeiros para apresentar explicações pelas declarações do porta-voz do Departamento de Estado.

O Governo turco receia que o apoio dos Estados Unidos permita aos curdos da Síria, que já controlam o Nordeste do país, na fronteira com a Turquia, o reforço da sua influência na região e as ambições de autonomia, até regiões do sudeste da Turquia com maioria de população curda.

A Turquia define o PKK e o PYD como organizações terroristas, à semelhança dos jihadistas do Estado Islâmico, que também são combatidos pelas forças curdas da Síria.

A Rússia, país com quem a Turquia mantém uma séria crise diplomática devido ao abate, em novembro, de um bombardeiro russo na fronteira síria, também oferece apoio aéreo e assistência aos curdos da Síria.

Na segunda-feira (8), o porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, disse que Washington não considera o PYD terrorista e assegurou que os “combatentes curdos” são um importante parceiro na luta contra o EI.

“Nós não reconhecemos o PYD como uma organização terrorista. Sabemos e entendemos que os turcos consideram", disse Kirby, para acrescentar que nem sequer os melhores amigos “estão de acordo em tudo”.

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