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Após desistência de Ted Cruz, Trump garante nomeação do Partido Republicano

"Desde o início eu disse que continuaria enquanto houvesse um caminho para a vitória", disse Ted Cruz

ABr
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Publicado em 04/05/2016 às 6:41
Foto: TIMOTHY A. CLARY / AFP
"Desde o início eu disse que continuaria enquanto houvesse um caminho para a vitória", disse Ted Cruz - FOTO: Foto: TIMOTHY A. CLARY / AFP
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Donald Trump garantiu nesta terça-feira (3), a nomeação do Partido Republicano à presidência dos EUA com a desistência de seu principal concorrente, Ted Cruz. "Desde o início eu disse que continuaria enquanto houvesse um caminho para a vitória. Hoje parece que esse caminho se fechou", disse o senador texano depois de sofrer uma derrota devastadora nas primárias de Indiana.

Desprezado pelo establishment e a ala tradicional da legenda, Trump derrotou um número recorde de aspirantes à disputa pela Casa Branca, entre os quais cinco governadores ou ex-governadores e quatro senadores. O bilionário nunca ocupou um cargo público e ganhou o apoio de eleitores republicanos ao se apresentar como um outsider que desafia a estrutura política tradicional americana.

Trump também ganhou seguidores com um discurso nacionalista, xenófobo e crítico da globalização e de acordos comerciais. Quando lançou sua campanha, no dia 16 de junho, o bilionário acusou imigrantes mexicanos de serem estupradores e traficantes de drogas e prometeu construir um muro na fronteira com o país, a ser pago pelo governo vizinho.

A retórica politicamente incorreta de Trump também atingiu os negros e as mulheres, grupos nos quais enfrenta elevada rejeição O futuro candidato republicano criticou sua então adversária Carly Fiorina por sua aparência e atacou a apresentadora Megyn Kelly, da Fox News. Depois de a jornalista questioná-lo sobre uma série de comentários depreciativos em relação às mulheres durante debate republicano, Trump insinuou que sua postura incisiva se devia ao fato de ela estar supostamente menstruada.

O bilionário será o candidato republicano com menos experiência política e administrativa em décadas. Também será um dos que provocaram maior divisão dentro da legenda. Em seu discurso de vitória ontem, Trump tentou construir pontes, ao elogiar seus concorrentes republicanos e congratular Cruz. 

Poucas horas antes, ele havia insinuado que o pai do senador teve envolvimento no assassinato de John Kennedy, em 1963. A acusação não é sustentada em nenhuma prova e foi levantada pelo National Enquirer, um tabloide de fofocas cujos textos têm pouca relação com a realidade.

Além de atacar grupos que o partido esperava conquistar, como hispânicos, negros e mulheres, Trump apresentou uma agenda de política externa que se choca com princípios defendidos por ambos os partidos americanos desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

O candidato defende que os EUA abandonem seus compromissos com a defesa de aliados na Europa e na Ásia caso eles não aumentem sua contribuição para financiar tropas americanas. Para ele, é aceitável que Japão e Coreia do Sul tenham armas nucleares para garantir sua segurança, caso os EUA deixem a região.

A primária de Indiana era considerada a última chance do grupo anti-Trump de barrar sua caminhada rumo à candidatura da legenda Mas o bilionário venceu o Estado com mais de 50% dos votos e com uma diferença de quase 20 pontos porcentuais em relação a Cruz. "Nós iremos atrás de Hillary", declarou o bilionário, em referência à provável candidata democrata, Hillary Clinton.

A ex-secretária de Estado foi derrotada em Indiana pelo senador Bernie Sanders, mas o resultado não deverá afetar de maneira significativa sua liderança na disputa por delegados. Hillary tem ampla vantagem graças ao apoio dos superdelegados, o grupo de dirigentes da legenda, deputados e senadores que podem votar como quiserem na convenção de julho.

 

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