Referendo

David Cameron pede que Reino Unido respeite os sonhos dos jovens e não deixe a UE

Mensagem do primeiro-ministro britânico foi feita horas depois do último debate antes do referendo que decidirá permanência ou não na União Europeia

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Publicado em 21/06/2016 às 17:53
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Mensagem do primeiro-ministro britânico foi feita horas depois do último debate antes do referendo que decidirá permanência ou não na União Europeia - FOTO: Foto: ADRIAN DENNIS / POOL / AFP
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O primeiro-ministro britânico, David Cameron, se dirigiu solenemente nesta terça-feira ao país e pediu às gerações mais velhas que votem a favor da União Europeia (UE) pensando nas "esperanças e sonhos" dos jovens.

A mensagem de Cameron foi anunciada a poucas horas do último debate da campanha do referendo da próxima quinta-feira, com as pesquisas apontando novamente um empate, e após uma nova advertência sobre os perigos do Brexit (saída da Grã-Bretanha da UE), desta vez do investidor George Soros, que prevê uma grave crise no Reino Unido.

"Pensem nas esperanças e sonhos de seus filhos e seus netos. Sabem de suas possibilidades de trabalhar, de viajar, de construir o tipo de sociedade aberta e próspera que desejam, depende do resultado do referendo", afirmou Cameron em um discurso à nação diante da residência oficial de Downing Street, a dois dias do referendo sobre a UE.

Os jovens "não poderão reverter a decisão que vocês tomarem", completou. 

Depois de citar os perigos econômicos de abandonar a UE, Cameron alertou que "são riscos para nossas famílias, e não deveríamos corrê-los". 

"Por você, por sua família, pelo futuro de teu país, vote na permanência", concluiu.

A dois dias do referendo, a média das pesquisas elaborada pela revista The Economist mostra que as pessoas mais velhas desejam a saída, 57% a 36%, em uma proporção muito maior que a população em geral (44% partidários da permanência, 43% da saída).

Também de acordo com a revista, 60% dos jovens desejam a permanência na UE e apenas 20% o abandono.

O último debate

Umas seis mil pessoas assistiram nesta terça-feira, no pavilhão Wembley Arena, ao grande debate da campanha, organizado e transmitido pela BBC a apenas dois dias do referendo de 23 de junho.

O ex-prefeito de Londres Boris Johnson e seu sucessor no cargo, o trabalhista Sadiq Khan, lideraram duas equipes que defenderam, respectivamente, a saída e a permanência do Reino Unido na UE.

Johnson descartou que Bruxelas vá punir Londres com tarifas alfandegárias se sair da UE. Estariam "loucos", assegurou, não podem arriscar. "Todo mundo sabe que este país recebe a quinta parte da produção de carros alemã, uns 820 mil veículos por ano", afirmou.

Mas o magnata George Soros, que fez fortuna ao apostar contra a libra em 1992, previu uma "sexta-feira negra" nos mercados mundiais se o Brexit triunfar, bem como o empobrecimento dos britânicos.

"O valor da libra cairá de forma vertiginosa, pelo menos 15%", afirmou o magnata americano em um artigo publicado no jornal The Guardian.

"A ironia, neste caso, é que uma libra valeria aproximadamente um euro, uma forma de 'unir-se ao euro' que ninguém desejaria no Reino Unido", completou Soros.

Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, disse, por sua vez, que a instituição está preparada "para qualquer eventualidade".

Os principais bancos centrais "mantiveram amplas consultas" sobre o referendo "e fizemos todos os preparativos", disse Draghi em uma coletiva de imprensa em Viena.

"Um voto a favor da saída da UE poderia ter repercussões econômicas significativas", afirmou também a presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Janet Yellen.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, foi mais contundente ao afirmar que os britânicos se infligiriam uma "automutilação" se na quinta-feira votassem a favor da saída da UE.

Na segunda-feira, uma pesquisa publicada pelo jornal Daily Telegraph mostrou 49% das intenções de voto para a permanência e 47% para a saída da UE. Uma sondagem do instituto YouGov para o Times mostra apoio de 44% ao Brexit e 42% para os partidários da continuidade.

Nas casas de apostas, no entanto, a permanência na UE vence de goleada, 78% a 22%.

Beckham a favor da UE

A UE recebeu o apoio do ex-jogador de futebol David Beckham, que foi capitão da seleção inglesa, e que defendeu a permanência ao recordar sua passagem por Real Madrid, Milan e Paris Saint-Germain, assim como os colegas europeus de seu período no Manchester United.

O Manchester United teve "mais êxito graças a um goleiro dinamarquês, Peter Schmeichel, a liderança de um irlandês, Roy Keane, e a habilidade do francês Eric Cantona", escreveu em uma mensagem divulgada em sua página no Facebook.

"Vivemos em um mundo vibrante e conectado, no qual unidos somos mais fortes. Por nossos filhos e os filhos de nossos filhos deveríamos enfrentar os problemas do mundo juntos, e não sozinhos. Por estas razões, votarei a favor da permanência na UE", concluiu.

Beckham se une assim à escritora J.K.Rowling, o empresário Richard Branson e os atores Ian McKellen e Idris Elba na lista de personalidades a pedir voto a favor da UE. Do outro lado, os atores Michael Caine, John Cleese e o cantor Roger Daltrey pedem voto pela saída do bloco europeu.

Além disso, 96 reitores de universidades britânicas defenderam a permanência na UE.

"O isolamento do maior bloco econômico do mundo afetaria nossa posição como líder mundial em ciência e educação", afirmam em uma carta publicada pelo jornal The Independent.

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