RELIGIÃO

Papa Francisco adverte que 'não existe um Deus da guerra'

O papa advertiu que ''não existe um Deus da guerra'' antes de partir nesta terça (20) a Assis, centro da Itália, para pedir a paz para o mundo em um encontro com líderes de diferentes religiões

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Publicado em 20/09/2016 às 8:53
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O papa advertiu que ''não existe um Deus da guerra'' antes de partir nesta terça (20) a Assis, centro da Itália, para pedir a paz para o mundo em um encontro com líderes de diferentes religiões - FOTO: TIZIANA FABI / AFP
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O papa Francisco advertiu que "não existe um Deus da guerra" antes de partir nesta terça-feira (20) a Assis, centro da Itália, para pedir a paz para o mundo em um encontro com líderes de diferentes religiões.

"Não vamos a Assis para um espetáculo. Vamos para orar e para orar pela paz", disse o Papa depois de lembrar durante sua homilia matutina que "o mundo está em guerra e sofre".

"Nos assustamos com alguns atos terroristas, mas isso não é nada comparado com o que ocorre nestes países em que dia e noite caem bombas, assassinam crianças, idosos, homens e mulheres", disse indignado.

"Acreditam que a guerra está longe daqui? Não, está perto, porque afeta todos nós", afirmou o pontífice argentino depois de prever que a viagem de Assis será um dia de oração, de penitência e, sobretudo, de "pranto pela paz".

Ao término de sua comovente homilia, Francisco partiu de helicóptero a Assis, a cidade de São Francisco, onde líderes de diferentes religiões o esperam para pedir em um ato conjunto o fim dos atentados, da violência e das guerras que atingem todo o planeta.

O Papa permanecerá apenas um dia na cidade do chamado santo dos pobres, durante o qual se reunirá separadamente com líderes da igreja ortodoxa e anglicana, assim como com representantes do Islã e do judaísmo.

A peregrinação a Assis, a 130 quilômetros de Roma, durará poucas horas e contará com a presença de hebreus, muçulmanos, budistas e cristãos de diferentes denominações.

O dia pela paz, organizado no âmbito do encontro internacional intitulado "sede de paz", não pede apenas o fim das guerras, mas também que a fé não seja utilizada como arma para gerar conflitos.

"O Islã é o mais afetado pelo terrorismo", comentou à AFP o imã Abdelfattah Mourou, vice-presidente do Parlamento tunisiano, entre os presentes.

"Estar unidos é a resposta ao terrorismo que quer dividir. Porque o terrorismo quer desestabilizar nossas vidas, quer levar violência a nossa sociedade", explicou Marco Impagliazzo, presidente do grupo católico Comunidade de São Egídio, organizador do evento.

"Há muita sede de paz, pedem os pobres, as vítimas do terrorismo e das guerras em muitos países do mundo. Queremos ser sua voz", afirmou.

- Um apelo ecumênico pela paz -

Os membros de cada religião se recolherão para orar segundo sua tradição em um lugar diferente, para depois fazer um apelo conjunto com o papa Francisco pela paz a partir da praça.

O pontífice argentino, que em agosto deste ano visitou Assis por ocasião dos 800 anos do chamado "Perdão de Assis", retornou pela terceira vez à cidade natal do santo italiano que inspira seu pontificado.

Durante a visita também é comemorado o 30º aniversário dos encontros de Assis, inaugurados em 1986 pelo papa João Paulo II e nos quais participam movimentos e associações eclesiásticas, assim como entidades civis.

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