EUA E COREIA DO NORTE

EUA disposto a discutir com Pyongyang 'sem condições prévias'

O secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson afirmou que os EUA estão dispostos a negociar, mas continuam contra as armas nucleares de Pyongyang

Julia Aguilera
Julia Aguilera
Publicado em 13/12/2017 às 14:14
Foto: AFP
O secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson afirmou que os EUA estão dispostos a negociar, mas continuam contra as armas nucleares de Pyongyang - Foto: AFP
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Os Estados Unidos estão dispostos a negociar com a Coreia do Norte "sem condições prévias" - declarou na terça-feira (13) o secretário de Estado americano, Rex Tillerson.

O secretário americano ressaltou, no entanto, que os Estados Unidos continuam determinados a fazer Pyongyang renunciar às armas nucleares, mesmo que por meios militares.

Rússia e China saudaram, nesta quarta-feira, as declarações de Tillerson, que parecem amenizar o posicionamento de Washington, mesmo que a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, tenha assegurado que o presidente Donald Trump "não mudou de posição sobre a Coreia do Norte".

Em outubro, Tillerson foi publicamente censurado por Trump por evocar a existência de "canais de comunicação para sondar" as intenções do líder norte-coreano Kim Jong-un em vista de um eventual diálogo. Na ocasião, o presidente escreveu no Twitter que o secretário "perdia tempo em negociar".

O Kremlin saudou a mudança de tom dos Estados Unidos em relação à Coreia do Norte, considerando que "tais declarações construtivas são muito mais satisfatórias do que a retórica de confronto que ouvimos até agora", segundo o porta-voz Dmitry Peskov.

Em termos mais contidos do que Moscou, a China tomou nota das declarações de Tillerson e disse esperar que Estados Unidos e Coreia do Norte deem "passos significativos em direção ao diálogo", de acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lu Kang.

O anúncio de Tillerson foi seguido por declarações do líder norte-coreano, Kim Jong-un, prometendo converter a Coreia do Norte na "maior potência nuclear do mundo".

Em discurso para trabalhadores do programa balístico, Kim declarou que seu país "avançará vitoriosamente e se tornará a maior potência nuclear e militar do mundo", segundo a agência oficial de notícias norte-coreana, a KCNA.

Isso não impede Pyongyang de "concordar em considerar que é importante evitar uma guerra com os Estados Unidos", apontou o secretário-geral adjunto da ONU para Assuntos Políticos, o americano Jeffrey Feltman.

Na terça-feira, Feltman informou o Conselho de Segurança sobre sua visita na semana passada à Coreia do Norte.

Até o momento, os Estados Unidos afirmavam que qualquer negociação deveria ser limitada à eliminação das armas nucleares da península coreana.

"Não é realista dizer: 'só vamos falar com vocês se vierem à mesa de negociações prontos para abandonar seu programa' (nuclear)", reconheceu Tillerson durante entrevista coletiva em Washington.

"Vamos nos encontrar e discutir o clima, se quiserem, ou se a mesa deve ser quadrada, ou redonda, se isto lhes der prazer", disse o chefe da diplomacia americana.

Tillerson ressaltou, porém, que a campanha americana de pressão econômica e diplomática sobre Pyongyang continuará "até que caia a primeira bomba".

O secretário de Estado destacou que Washington "simplesmente não pode aceitar uma Coreia do Norte com armas nucleares e que o presidente Donald Trump "pretende garantir que não tenham armas nucleares capazes de atingir a costa dos Estados Unidos".

Ele considerou que "será difícil discutir, se no meio das conversas testarem um outro dispositivo".

Em 28 de novembro, Pyongyang lançou um míssil balístico intercontinental (ICBM) capaz de atingir o território continental dos Estados Unidos, segundo especialistas.

Muitos analistas se mostram céticos sobre o fato de que Pyongyang tenha dominado a tecnologia necessária para permitir que o míssil resista à reentrada na atmosfera terrestre.

O lançamento do mês passado foi o primeiro teste desse tipo desde 15 de setembro e anulou as esperanças de que a Coreia do Norte abra as portas para uma solução negociada para a crise nuclear.

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