BOLÍVIA

Confrontos entre manifestantes e militares deixam três mortos na Bolívia

Até agora, pelo menos 30 feridos foram encontrados. Todos leais ao ex-presidente Evo Morales

Thalis Araújo
Thalis Araújo
Publicado em 19/11/2019 às 19:22
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Foto: AIZAR RALDES / AFP
Até agora, pelo menos 30 feridos foram encontrados. Todos leais ao ex-presidente Evo Morales - FOTO: Foto: AIZAR RALDES / AFP
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Enfrentamentos entre manifestantes e militares que liberavam o acesso a uma central de combustíveis em El Alto, cidade vizinha a La Paz, deixaram três mortos e 30 feridos nesta terça-feira, segundo o último informe publicado pela Defensoria do Povo da Bolívia. Um porta-voz da entidade informou à AFP que "constatou-se a existência de três mortos, dois deles confirmados (por impacto) de bala", inclusive Dayvi Posto Cusi, de 31 anos, disse a fonte do serviço de imprensa da Defensoria.

30 feridos

Além disso, a entidade revisou para 30 o número de feridos, todos leais ao ex-presidente Evo Morales, que está asilado no México, após renunciar ao cargo em 10 de novembro, depois de ser reeleito em eleições denunciadas como fraudulentas pela oposição e a OEA, que encontrou "irregularidades".

Um comunicado das Forças Armadas destacou que "agitadores e vândalos enfurecidos" atacaram e destruíram parcialmente a central de hidrocarbonetos de Senkata, "utilizando explosivos de alto poder". 

Pouco antes, uma força combinada de policiais e militares, apoiada por blindados e helicópteros, entrou na planta, ocupada há dias por manifestantes, para retomar em carros-tanque o abastecimento de combustível, cuja escassez começa a se aprofundar em La àz. Do México, Morales escreveu no Twitter: "Eu denuncio ao mundo que o governo de fato no estilo de ditaduras militares novamente mata meus irmãos em El Alto, que resistem pacificamente ao golpe e lutam em defesa da vida e da democracia".

Confira a publicação

A presidente interina, Jeanine Áñez (direita), assinou um decreto nos últimos dias, descrito pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) como "grave", que isenta os militares de processos penais se gerarem vítimas em suas tarefas de manutenção da ordem no país, convulsionado há um mês. Outro decreto assinado por Áñez destina 4,8 milhões de dólares para compra de equipamento militar para as Forças Armadas.

No fim de semana, a CIDH estimou em 23 mortos desde que começaram os conflitos e em 9 desde que Áñez se autoproclamou presidente interina em 13 de novembro. 

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