SAÚDE

Hospital construído em dez dias na China recebe primeiros pacientes com coronavírus

O centro médico ocupa uma área de 25 mil m² e possui mil leitos

Katarina Moraes com agências
Katarina Moraes com agências
Publicado em 03/02/2020 às 11:04
Foto: STR / AFP
O centro médico ocupa uma área de 25 mil m² e possui mil leitos - FOTO: Foto: STR / AFP
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Os primeiros pacientes infectados com o novo coronavírus chegaram na manhã desta segunda-feira (3) ao Huoshenshan, hospital construído em apenas dez dias e situado em Wuhan, epicentro da doença. Até a publicação desta matéria, o vírus já vitimou 361 pessoas na China e uma nas Filipinas. Há, ainda, 17.238 casos suspeitos na China e 148 em outros países.

A construção começou no dia 23 de janeiro e está localizada no distrito de Caidian - que também abriga o Sanatório dos Trabalhadores.

O centro médico ocupa uma área de 25 mil m² e possui mil leitos. A equipe médica será composta por 1.400 agentes de saúde das forças armadas, dentro dos quais estão membros do exército, da marinha e da força aérea chinesa.

Para erguer o Hospital Huoshenshan em apenas dez dias, os operários trabalharam em turnos nas 24 horas do dia. Estima-se que cada um deles recebeu US$ 173 por dia, valor que é três vezes acima do que os trabalhadores da categoria costumam receber no país.

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Além do Huoshenshan, outro hospital também está sendo construído em Wuhan. O Leishenshan - cuja obra pode ser acompanhada em tempo real no YouTube -, vai ter espaço para 1.600 leitos. A expectativa é de que os trabalhos sejam concluídos na próxima quarta-feira, 5.

Vale lembrar que esta não é a primeira vez que a China responde com prontidão a uma ameaça de saúde. Em 2003, durante a epidemia de Sars (Síndrome Aguda Respiratória Grave), o governo do país asiático surpreendeu a comunidade mundial ao construir um hospital em Pequim em apenas sete dias.

Até o momento, a doença já causou 305 mortes e deixou mais de 14 mil infectados pelo mundo, sendo que o primeiro caso de morte fora do país asiático aconteceu na madrugada deste domingo, nas Filipinas.

E em meio ao surto de casos, o governo brasileiro anunciou, também neste domingo, que vai repatriar os cidadãos que estiverem em Wuhan. A decisão foi tomada após um grupo publicar um vídeo pedindo ajuda do Brasil, para conseguir deixar a China. No entanto, o local para onde eles serão levados, até que seja cumprido o período de quarentena, ainda não foi informado.

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Histórico

O coronavírus é conhecido desde meados dos anos 1960 e já esteve associado a outros episódios de alerta internacional nos últimos anos. Em 2002, uma variante gerou um surto de síndrome respiratória aguda grave (Sars) que também teve início na China e atingiu mais de oito mil pessoas.

Em 2012, um novo coronavírus causou uma síndrome respiratória no Oriente Médio que foi chamada de Mers. A atual transmissão foi identificada em 7 de janeiro. O escritório da Organização Mundial da Saúde na China buscava respostas para casos de uma pneumonia até então desconhecida que afetava moradores na cidade de Wuhan, na China.

Morte nas Filipinas

O novo coronavírus fez sua primeira vítima fora da China, um chinês de 44 anos nas Filipinas

O homem, oriundo da cidade de Wuhan, no centro da China, local onde começou o surto em dezembro, morreu no sábado, informou o Departamento de Saúde das Filipinas neste domingo. Ele era um dos dois casos confirmados nas Filipinas, o outro sendo sua companheira de 38 anos, disseram as autoridades. Ambos haviam chegado ao país em 21 de janeiro, após viajar por Hong Kong.

Mais de 300 mortes já foram confirmadas desde o início do surto de coronavírus no centro da China, mas todas as mortes até agora haviam acontecido no próprio país. Cerca de 150 pessoas fora da China tiveram casos do vírus.

Veja o mapa que mostra como o coronavírus se espalha pelo mundo

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