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A noite na boate Pulse, da alegria ao massacre em Orlando

Frequentadores da boate contam os momentos vividos no dia do massacre

FEDERICA NARANCIO E STEPHANIE GRIFFITH
FEDERICA NARANCIO E STEPHANIE GRIFFITH
Publicado em 12/06/2016 às 22:55
AFP
Frequentadores da boate contam os momentos vividos no dia do massacre - FOTO: AFP
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WASHINGTON – Era uma noite de sábado como qualquer outra na boate gay Pulse e isso se traduzia numa alegre celebração que deveria acabar apenas com os primeiros raios de sol de domingo. As luzes estroboscópicas e a música alta dominavam os salões da boate, que se encontra entre uma das mais animadas da Flórida, mas que viria se transformar no palco de um dos piores episódios de terrorismo na história recente dos Estados Unidos, que deixou ao menos 50 mortos e 53 feridos.  

"Esta noite a partir das 21 e até 23H00 é DE GRAÇAAAA", postou no Facebook Kenya Michaels, uma conhecida drag queen porto-riquenha, que consegui sair ilesa do tiroteio que tirou a vida de dezenas de outros freqüentadores da boate.

O lugar estava lotado para a festa de tema latino, e as pessoas dançavam, riam, muitas extravagantemente vestidas, todas se divertindo com o show no palco. Um dançarino caracterizado de Beyoncé dançava sensualmente no palco, como mostra um vídeo postado no Periscope.

Por volta das 02H00 da manhã, as pessoas ouviram barulhos parecidos com tambores, segundo um dos freqüentadores.

Christopher Hanson contou que, a princípio, pensou tratar-se de um ritmo próprio da música tocada. "Era como um bang, bang, bang, bang". 

"Vi corpos caindo quando estava pedindo uma bebida no ar. Joguei-me no chão. ´Me arrastei para fora do lugar. Algumas pessoas tentaram escapar pelos fundos", declarou à CNN, acrescentando que não conseguiu ver o atirador. "Quando cheguei à rua, havia pessoas e sangue por todo lado ".

A direção do clube, percebendo a gravidade da situação, postou rapidamente um alerta em sua página no Facebook. "Saiam todos correndo", escreveu.

"Era um caos total. Se pudesse comparar com algo, diria que era como a cena de um filme de terror", afirmou, por sua vez, Janiel González falando à AFP.

"Alguns pediam ajuda. Outros foram pisoteados. Ao havia uma saída claramente marcada no clube, por isso as pessoas não sabiam por que porta passar", acrescentou. 

Os clientes, que momentos antes dançavam alegremente, se encontraram do nada em meio ao caos, tentando salvar suas vidas.

Alguns contaram aos meios de comunicação que fugiram se arrastando e outros que pularam pelas janelas. Muitos, no entanto, não conseguiram escapar, entre eles os que procuraram refúgio no banheiro do clube.

O desespero e a confusão duraram cerca de três horas, quando a polícia usou veículo blindado para invadir a boate, matando finalmente o atirador em meio a uma chuva de balas. 

Foi só com o amanhecer que os americanos e o mundo tomaram conhecimento da tragédia que horrorizou a todos. Os parentes das vítimas foram avisados ao longo do dia.

Cerca de 300 familiares foram levadas pelas autoridades para um hotel localizado perto do hospital onde a maioria das vítimas foi internada. A maioria era formada por hispânicos.

Ángel Méndez mostrou a um jornalista a foto de seu irmão. "Ele estava no clube e estamos desesperados. Nós o estamos procurando", afirmou.

"É um lugar a que vamos simplesmente para se divertir, dançar, onde normalmente não há nenhum problema, e, de repente, acontece algo assim, tão devastador ", lamentou, visivelmente abalado.


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