EDUARDO CAMPOS

Irmão de Eduardo defende Marina Silva como candidata

A posição pessoal de Antônio Campos foi externada por meio de uma carta aberta

Carolina Albuquerque
Carolina Albuquerque
Publicado em 15/08/2014 às 7:00
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O primeiro sinal em favor da vice Marina Silva para assumir a candidatura presidencial da coligação Unidos pelo Brasil, após a morte do ex-governador Eduardo Campos, partiu de um integrante da família. O único irmão do líder socialista, Antônio Campos, soltou uma carta na tarde de ontem externando a sua convicção de que essa seria a “vontade de Eduardo”. O escritor e advogado exaltou a luta de mais de 60 anos da família do ex-governador Miguel Arraes para defender a continuidade da “chama imortal dos ideais que os motivava”. 

“O meu avô Miguel Arraes foi preso e exilado, não se curvando à ditadura militar. Eduardo Campos continuou o seu legado com firmeza de propósitos, tendo trazido uma nova era de desenvolvimento para Pernambuco. Desde 2013 vinha fazendo o debate dos problemas e do momento de crise por que passa o Brasil, querendo fazer uma discussão elevada sobre nosso país. Faleceu em plena campanha presidencial, lutando pelos seus ideais e pelo que acreditava”, inicia. 

Antônio Campos defende que o “mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar e de correr o risco para viver os seus sonhos pessoais e coletivos”. Ele lembra no texto que o avô e o irmão faleceram no mesmo dia e serão “plantados” no mesmo “túmulo simples”. “Essas sementes de esperança e de resistência devem inspirar uma reflexão sobre o Brasil, nesse momento, para mudar e melhorar esse país, que enfrenta uma grave crise, sendo a principal dela a crise de valores”, pontua. 

O irmão propõe que o partido faça um debate democrático para dar a Marina a cabeça da chapa e escolher um vice que “some ao debate que o Brasil precisa fazer nesse momento”. O neto mais velho vivo de Miguel Arraes, ele é filiado ao PSB e membro do Diretório Nacional, com direito a voto.

Interlocutores próximos à família, no entanto, negam que a posição de Antônio seja o pensamento oficial de todos. Nos bastidores corrre a informação de que opinião da viúva Renata Campos, e do filho mais velho, João Campos, norteará o partido. Porém, ainda muito abalados, eles não pensam sobre o assunto.

O deputado federal Julio Delgado (PSB-MG), que era muito próximo a Eduardo, disse que a opinião de Antônio Campos é pessoal, mas que o partido ainda vai fazer o debate interno. “Ele falei com ele, me externou sua posição. Assim como alguns tem feito. Mas o partido só irá decidir isso após o enterro de Eduardo. Sabemos que o prazo eleitoral é curto para o tamanho pesar que estamos vivendo neste momento”, disse. O socialista está em São Paulo acompanhando todo o processo de identificação dos corpos, juntamente com a comitiva saiu de Pernambuco. 


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