presidente

Dilma tenta desfazer mal estar sobre saída de Mantega

Presidente não deixou dúvida sobre a substituição do ministro da Fazenda em eventual segundo mandato

Vanessa Araújo
Vanessa Araújo
Publicado em 05/09/2014 às 22:41
Leitura:

A presidente Dilma Rousseff tentou nesta sexta-feira desfazer o mal estar com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, por ter admitido que ele não ficará em eventual segundo mandato. Antes de chegar a Brasília no fim da tarde, após cancelar uma agenda de campanha em Laguna (SC), Dilma pediu a dois ministros que conversassem com o titular da Fazenda.

Embora o próprio Mantega já tenha dito várias vezes, em conversas reservadas, que não permanecerá no cargo se a presidente for reeleita, ele ficou magoado ao saber da entrevista dada por Dilma, na quinta-feira, em Fortaleza. Na ocasião, a presidente não deixou dúvida sobre a substituição do auxiliar em eventual segundo mandato.

Mantega evitou nesta sexta-feira, 5, os jornalistas e entrou com o carro oficial pela garagem do Ministério, uma prática pouco habitual.

Emissários do Palácio do Planalto que conversaram com ele por determinação de Dilma garantiram que a presidente apenas fez uma declaração genérica, com o mesmo teor da véspera, sobre "renovação de governo e de equipe", após evento de campanha em Fortaleza, sem se referir especificamente a qualquer ministro.

"Eleição nova, governo novo, equipe nova", afirmou Dilma em Fortaleza, ao responder a perguntas de repórteres sobre o futuro de Mantega. Há quase três meses o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem recomendado a Dilma que ela diga "claramente" o que vai fazer com a economia. Até agora, a candidata à reeleição havia resistido a sinalizar para novos rumos na economia, mas cedeu à pressão após o crescimento da adversária Marina Silva (PSB).

A "demissão" antecipada do titular da Fazenda provocou ontem desconforto na equipe econômica, que, nos últimos dias, teve de lidar com o quadro de recessão técnica do País.

A indicação de Dilma de que vai renovar o time num eventual segundo mandato acabou expondo até mesmo o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e a diretoria da instituição, deixando toda a equipe mais fragilizada para defender a política econômica dos ataques dos adversários do PT na campanha. Tombini sempre foi um dos nomes mais citados para ocupar o cargo de Mantega em caso de reeleição.

Foi recorrente no Ministério da Fazenda a lembrança de que a própria presidente conduziu com mão de ferro a diretriz da política econômica desde o início de seu governo, em 2011. Dilma deixou pouco espaço para discordâncias, principalmente em relação às sucessivas desonerações de tributos e ampliação dos subsídios governamentais para diversos setores.

Uma das principais críticas a Mantega, feitas por técnicos do Ministério, é justamente a de que ele nunca conseguiu ser "o ministro do não", ônus que muitas vezes cabe ao titular do cargo.

A percepção dos técnicos de escalões mais altos da área econômica é de que a presidente não precisava expor a sua equipe neste momento de ataques mais fortes de Marina Silva, hoje a principal adversária de Dilma. Marina aproveitou a deixa e criticou a declaração de Dilma ao dizer que o movimento de mudança da equipe "pode ter vindo tarde".

A questão agora, como destacou um integrante da equipe econômica é saber se o sinal dado pela presidente vale também para o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, que ainda mantém força e prestígio no governo, embora já tenha sido criticado publicamente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Novo na equipe e à frente da interlocução do governo com o mercado nas negociações sobre o desenho de financiamento nas concessões, o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Paulo Caffarelli, continua com chances de ocupar um cargo na equipe econômica de um segundo mandato da presidente.

Newsletters

Ver todas

Fique por dentro de tudo que acontece. Assine grátis as nossas Newsletters.

Últimas notícias