Ditadura

Comissão Nacional da Verdade encerra audiências com coleta de depoimentos em Pernambuco

Além de Acampora, o tenente-coronel do Exército Joaquim Gonçalves Vilarinho Neto, que comandou a PM pernambucana entre 1971 e 1973, também foi inquirido

Da ABr
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Publicado em 13/10/2014 às 20:43
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Em depoimento nesta segunda-feira (13), durante audiência da Comissão Nacional da Verdade (CNV), em Pernambuco, em parceria com a Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Hélder Câmara (CEMVDHC), o coronel José Carlos Acampora negou que tenha visto mortos. Entretanto, confirmou a ocorrência de práticas de tortura no local. Disse, inclusive, que participou de treinamentos de práticas como afogamento e choque, na Amazônia.

"Notícia de que morria? Tinha. Também que se jogava no mar e que se enterrava". A frase é posterior ao questionamento sobre possíveis mortes  no Destacamento de Operações e Informações (DOI) do IV Exército, com sede no Recife.

Além de Acampora, o tenente-coronel do Exército Joaquim Gonçalves Vilarinho Neto, que comandou a PM pernambucana entre 1971 e 1973, também foi inquirido. Vilarinho negou a participação em torturas e disse não conhecer as vítimas que tiveram nomes foram citados pelas comissões.

Coordenador da CNV, Pedro Dallari afirmou que Vilarinho usou um “silêncio seletivo”, já que falou sobre suposta amizade com Dom Hélder e outros temas que lhe beneficiavam, mas negou-se a responder diversas perguntas dos integrantes da comissão.

Transmitidos ao vivo pela página da CNV, os depoimentos, conforme o coordenador, mostraram que os agentes públicos eram separados de acordo com as atividades. Uns participavam da captura de militantes, por exemplo, e outros os torturavam.

Realizada hoje à tarde, a audiência faz parte da série de atividades da CNV no estado. Logo na abertura da reunião, Dallari explicou que aquela seria a última audiência de instrução da comissão, já que o relatório final dos trabalhos deverá ser entregue à presidenta Dilma Rousseff no dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Nesta terça-feira (14), a CNV e a CEMVDHC farão o reconhecimento dos locais onde funcionaram a Delegacia de Ordem Política e Social (Dops) de Pernambuco e o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do IV Exército. Em relatório preliminar da CNV, concluído em fevereiro, o DOI-Codi do Recife é uma das sete instalações militares descritas como lugar de práticas de tortura. Quatro ex-presos políticos participarão das diligências.

Segundo a CNV, das unidades listadas no relatório que motivou a sindicância para apurar desvio de finalidade no uso das instalações das Forças Armadas, apenas a Base Naval da Ilha das Flores, no Rio de Janeiro, ainda não foi objeto de visita da comissão. A ida ao local deve ocorrer antes do encerramento das investigações, mas ainda não há data confirmada.

A Marinha, o Exército e a Aeronáutica negam que tenha ocorrido desvio de função em suas unidades militares.

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