Depoimento

Propina paga a ex-diretores da Petrobras chegava a 3%, diz empresário

Presidente da Setal Engenharia acrescentou que parte do dinheiro das empresas foi repassado em doações para o PT a pedido do ex-diretor da estatal, Renato Duque

Da ABr
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Publicado em 23/04/2015 às 14:27
Foto: Wilson Dias / Agência Brasil
Presidente da Setal Engenharia acrescentou que parte do dinheiro das empresas foi repassado em doações para o PT a pedido do ex-diretor da estatal, Renato Duque - FOTO: Foto: Wilson Dias / Agência Brasil
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Em depoimento à CPI da Petrobras, o presidente da Setal Engenharia e conselheiro da Toyo Setal, Augusto Mendonça Neto, afirmou que a cobrança de propina feita pelos ex-diretores da estatal era de até 3% do contrato. Ele acrescentou que parte do dinheiro das empresas foi repassado em doações para o Partido dos Trabalhadores (PT), em 2008, a pedido do ex-diretor da estatal, Renato Duque.

O empresário explicou que procurou o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto para receber orientações sobre como repassar os valores e disse que Vaccari não sabia que o pedido tinha partido de Duque. O empresário desmentiu o ex-tesoureiro que disse estar no controle do partido desde 2010. Segundo Mendonça Neto, Vaccari passou a comandar as contas do PT a partir de 2008.

“A minha conversa pelo lado da Diretoria de Serviços sempre acontecia pelo Renato Duque ou pelo Pedro Barusco. Foi com quem discuti valores e acertei pagamentos. Duque, em algumas oportunidades, me pediu que fizesse contribuições ao PT. A primeira vez fui procurar o João Vaccari no escritório do PT dizendo que tinha interesse em fazer a contribuição para o partido e ele me indicou o que fazer”, afirmou o conselheiro da Toyo Setal.

Renato Duque, segundo ele, ainda pediu que fossem feitas outras doações e o empresário admitiu que esteve com Vaccari mais de uma vez. “Tenho todos os comprovantes detalhados. [Estive reunido com o ex-tesoureiro] algumas vezes. Talvez dez. O que acontecia é que os valores que me comprometia a pagar eu parcelava. Muitas vezes a gente atrasava porque tinha problema de caixa”, destacou o empresário.

Uma das orientações que segundo ele teria sido passada por Vaccari foi para que usasse parte do dinheiro a ser doado em contratos com a gráfica Atitude, responsável pela produção da publicidade do PT. “Vaccari me indicou que fizesse contratos com essa revista e que teríamos oportunidade de, junto à revista, defender questões ligadas a indústria. Fizemos dois contratos com essa editora que produz a revista e pagamos por eles”. Segundo ele, os dois contratos somaram US$ 2,5 milhões.

O empresário negou que Vaccari ou Duque tenham feito qualquer ameaça para garantir o pagamento da propina. Segundo ele, no caso do ex-diretor mesmo sem ter verbalizado, era claro que a contribuição era a condição para não ser atrapalhado nas licitações com a ameaça de “contribua que vou te ajudar”. Mendonça Filho ainda admitiu que fez doações para outros partidos mas que, nesses casos, não teve qualquer indicação do esquema e que era uma prática das empresas.

Mendonça Neto disse que nunca entregou dinheiro diretamente a qualquer dos ex-diretores da estatal. “[Duque e Barusco] me indicaram a conta para que pudesse fazer depósitos ou retirar valores”, informou. Alguns depósitos foram feitos pelo empresário Júlio Camargo, com quem Mendonça Neto admitiu manter negócios. Segundo ele, Camargo depositou valores em uma conta de Duque mantida no exterior e que era a fonte da maior parte da comissão paga ao ex-diretor.

No caso de Paulo Roberto Costa, segundo ele, o pagamento indireto teria sido feito por meio de pagamentos de notas fiscais emitidas pelo doleiro Alberto Youssef a quem foi apresentado pelo ex-deputado José Janene, em 2007, quando disse ter firmado contratos com a estatal.“Youssef disponibilizou notas fiscais que nós pagaríamos e o dinheiro seria entregue a ele. Ele me apresentou as empresas M.O., Rigidez e outra que não recordo o nome. Fizemos contratos com essas empresas e pagávamos a elas, mas quem ligava para cobrar era o Youssef”, contou.

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