Lava-Jato

Marcelo Odebrecht vai para 'nova prisão' de 3 mil m², no Morumbi

O empresário deixará a cela em Curitiba (PR) e cumprirá o resto da pena em condomínio na área nobre de São Paulo

Duda Lapenda
Duda Lapenda
Publicado em 13/12/2017 às 14:12
Foto: Reprodução
O empresário deixará a cela em Curitiba (PR) e cumprirá o resto da pena em condomínio na área nobre de São Paulo - Foto: Reprodução
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Depois de quase 2 anos de prisão numa cela de 12 metros quadrado em Curitiba, o empresário Marcelo Odebrecht voltará para sua residência, uma luxosa casa de 3 mil metros quadrados, em um condomínio de segurança máxima no Morumbi, área nobre de São Paulo, onde cumprirá prisão domiciliar. A mudança de CEP acontecerá na próxima terça-feira (19), quando o empresário ficará frente a frente com o juiz de execução penal da 12ª Vara Federal de Curitiba, Danilo Pereira Junior. Marcelo foi acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na Operação Lava Jato e preso no dia 19 de junho de 2015.

Marcelo deixa uma cela mal iluminada de 12 metros quadrados, nos fundos da Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense – que dividia com outros acusados e delatores --, por sua casa com piscina, campo de futebol e uma academia recém-reformada para atender as novas necessidades do empreiteiro. A nova “cela” também possui quartos com closet e banheiros exclusivos – bem diferente do buraco usado como vaso sanitário na cela na PF. Corretores avaliam que a casa custe entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões. O condomínio é vendido no mercado como “o mais seguro de São Paulo”, com câmeras, seguranças e porteiros por toda sua extensão.

Os advogados têm três opções para levar o empresário para a capital paulista: um voo comercial escoltado por policiais, um carro que faria o trajeto de 416,6 quilômetros até a residência ou um avião fretado (a que mais atrai a todos). Cabe aos defensores indicarem o modo, mas o juiz costuma ouvir a Polícia Federal para decidir.

ROTINA

Na cela em Curitiba, o empresário tinha abandonado nos últimos dias o hábito de escrever e a dieta que seguia com frutas e barras de cereais, mas mantinha os exercícios físicos diários. Marcelo e o companheiro de cela, lobista Adir Assad, acordam antes de o sol nascer para fazer flexões abdominais e step. Na Custódia da Polícia Federal em Curitiba, Odebrecht chegou a ficar um breve período no Complexo Médico-Penal, onde a limpeza é feita pelos próprios presos.

Com relação às refeições, as opções eram: café com leite e pão com manteiga pela manhã e almoço e jantar, onde o cardápio é uma variação de arroz, macarrão, feijão e carne. Mas foram raras as vezes que Marcelo aceitou a comida fornecida, já que ele possuía uma rede, que apelidou de “logística”, montada pela empreiteira para levar alimentos frescos e refeições que ele aquecia no micro-ondas e no fogão elétrico instalados na carceragem.

PENA

O empresário foi condenado a 19 anos e 4 meses de prisão, mas, por causa de sua colaboração à Justiça, sua pena foi reduzida para 10 anos. Agora, o empresário deverá cumprir os restantes 8 anos em regime domiciliar fechado, com tornozeleira. A mudança de regime faz parte do acordo de colaboração premiada homologada pela presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, em 30 de janeiro, dias após a morte do ministro Teori Zavascki, então relator da Lava Jato.


Em nota, a Odebrecht afirmou que "Marcelo Odebrecht está inteiramente empenhado em continuar contribuindo de forma efetiva com as autoridades nos termos do seu acordo de colaboração". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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