CORRUPÇÃO

Ex-prefeito do Cabo suspeito de desvio de verba para financiar cantor

O cantor gospel André Valadão recebeu a quantia de R$ 200 mil, usada para a gravação de CD e DVD. As contas de Vado da Farmácia foram bloqueadas

Ana Roberta Amorim
Ana Roberta Amorim
Publicado em 22/03/2018 às 19:02
Foto: divulgação/polícia civil
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O ex-prefeito Vado da Farmácia (PTB), do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, está sendo investigado por desvio de verbas públicas no período de 2013 a 2016, quando exercia cargo público. Dentre as irregularidades, está o fornecimento de merenda escolar estragada e o financiamento da gravação de um CD e DVD de um cantor gospel.

De acordo com a delegada, Patrícia Domingos, titular da Delegacia de Crimes contra a Administração Pública (Decasp), o esquema de corrupção foi descoberto a partir de denúncias anônimas, que apontaram o crescimento injustificável do patrimônio do ex-prefeito. "Ele assumiu a prefeitura do Cabo afirmando para o Tribunal Eleitoral que zero bens e, ao longo da gestão, foram adquiridos vários bens, utilizados por Vado, mas em nome de terceiros, como duas casas de praia, dois jet-skis, dois quadriciclos, uma lancha, um Porsche e uma motocicleta esportiva", detalhou a investigadora.

Ela contou que a prefeitura, na época do mandado de Vado da Farmácia, firmou um contrato de R$ 200 mil com o cantor evangélico André Valadão, para que fosse realizado um show na cidade. No entanto, o Tribunal de contas do Estado (TCE) verificou que, no mesmo período, o cantor fechou contrato de apresentações em outras localidades próximas ao Cabo, cobrando R$ 70 mil. Além disso, o valor pago pelo município financiou a gravação de CD e DVD do artista gospel. "Houve, na verdade, um patrocínio, uma doação, para uma gravação particular, sem que houvesse nenhuma contrapartida para o município. Esse crime configura como desvio de verbas e rendas públicas", explicou a delegada.

Foto: divulgação/polícia civil
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Além de Vado da Farmácia, familiares do ex-prefeito também estão sendo investigados. Os bens que estariam sendo usados por ele estavam no nome de alguns parentes, usados como laranjas. Uma vizinha de Vado da Farmácia também teria participado do esquema. Ela teria exercido o cargo de funcionária fantasma (condição confirmada pela mulher) e doado uma moto par ao filho do ex-prefeito, que teria sido, na verdade, comprado com dinheiro público, já que a mulher ganhava um salário de apenas R$ 2 mil.

"Faturamos superfaturamentos em contratos diversos. De merenda, de obras não executadas ou realizadas com qualiadade inferior ou em menor quantidade que o previsto. Duas empresas também estão sendo investigadas (Esferas Construções e C.A. Construções Civis LTDA). As duas também estão sendo investigadas dentro da Operação Tupinambá, em São Lourenço da Mata. A situação encontrada em São Lourenço, inclusive, é muito semelhante à do Cabo", afirmou a delegada Patrícia Domingos.

Dinheiro em espécie

Na casa de um ex-secretário de Vado da Farmácia, Paulinho do Valério, a polícia encontrou nessa quarta-feira (22), a quantia de R$ 1,2 milhão em espécie. Atualmente, ele é secretário na Prefeitura de Ipojuca. Segundo a delegada, o envolvimento de Paulinho no esquema se deve à participação das secretarias as quais ele estava à frente, na época do mandato de Vado da Farmácia, nos contratos investigados.

A titular da Decasp informou também que foi decretada o bloqueio das contas de Vado da Farmácia, sua ex-esposa, seus filhos e de Paulinho do Valério, o que, segundo a delegada, pode garantir a devolução do dinheiro desviado.

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