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Autoridades, incluindo Paulo Câmara, criticam fala de Bolsonaro sobre presidente da OAB

Políticos usaram as redes sociais para criticar a declaração do presidente ao advogado pernambucano

Da Editoria de Política
Da Editoria de Política
Publicado em 29/07/2019 às 13:48
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ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
Em nota, governo do Estado disse que mais recursos precisam ser destinados - FOTO: ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
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Após a promessa do presidente Jair Bolsonaro de contar ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, como seu pai, Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, desapareceu na época da ditadura militar, diversos políticos e autoridades, incluindo o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), declararam apoio e solidariedade ao advogado pernambucano.

"A divergência de ideias não deve, nunca, extrapolar os limites da civilidade e do respeito ao próximo. Considero que o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, foi hoje violentamente agredido, por palavras que não são apenas grosseiras, são desumanas", afirmou o socialista em sua conta pessoal do Twitter. Ainda segundo Câmara, o País precisa de "exemplos que valorizem a tolerância, o diálogo, a solidariedade, a construção" e que Bolsonaro estaria indo em "direção contrária".

 

 

A vice-governadora do Estado também publicou uma mensagem em solidariedade ao presidente da ordem. Segundo ela, a fala do presidente da República foi um "desrespeito criminoso". "A fala do presidente Jair Bolsonaro é de uma desrespeito criminoso. É repugnante seu comportamento!", afirmou. 

 

 

A declaração do presidente foi dada após Bolsonaro criticar a atuação da OAB no caso de Adélio Bispo, perguntou qual era a intenção da entidade e que a ordem teria impedido o acesso da Polícia Federal ao telefone de um dos advogados do autor da facada.

"Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB?", cravou.

Ainda em sua fala, Bolsonaro disse que Felipe Santa Cruz não iria gostar de saber do motivo da morte de seu pai. "Eu conto para ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Eu conto para ele", cravou. "Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar às conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco, e veio a desaparecer no Rio de Janeiro", acrescentou. Veja vídeo:

Outras autoridades

A líder da Minoria na Câmara dos Deputados e deputada federal pelo PCdoB, Jandira Feghali, denominou a declaração de Bolsonaro ao presidente da OAB como "deplorável". "Somos governados por um ser desprezível, que do cargo da Presidência insinua os crimes da Ditadura que fizeram vítima o pai de Felipe Santa Cruz. Deplorável! Nossa solidariedade, Felipe! Não permitiremos que a verdade seja esquecida e a justiça não seja feita!", cravou. 

 

 

O ex-presidente da OAB do Rio de Janeiro Wadih Damous também lamentou o comentário do presidente do Brasil e disse que Felipe Santa Cruz sabe como seu pai desapareceu. "Felipe Santa Cruz sabe como o pai dele desapareceu. Não precisa perguntar ao colega de seus assassinos, Bolsonaro", disse o advogado. 

 

 

Já o senador pernambucano Humberto Costa (PT) classificou Bolsonaro como "desequilibrado". "Bolsonaro é um desequilibrado. Sua devoção a torturadores, sua defesa de assassinatos, seu desrespeito à vida são conhecidos. Mas, como chefe de Estado, o menoscabo à História e aos dramas das vítimas é um crime que precisa ser punido", afirmou o petista,

 

 

Relembre

Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira participava do movimento estudantil, seguindo uma orientação da Ação Popular Marxista-Leninista. Ele precisou sair do Recife, após ser preso em frente da Assembleia Legislativa, e foi morar no Rio. No Carnaval de 1974, Fernando foi preso e, possivelmente, torturado até a morte pelos agentes do DOI-Codi.

Inconformada com o desaparecimento do filho, Dona Elzita dedicou a sua vida à elucidação dos crimes cometidos pelo DOI-Codi durante a ditadura militar, representando a luta das famílias dos mais de 140 desaparecidos políticos. Em 1981, participou da fundação do PT, partido que é filiada até hoje, e do Movimento pela Anistia em Pernambuco. Ganhou notabilidade ao receber o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, em 2010, concedido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Nos últimos meses está calada. No balanço da sua cadeira, não lembra mais de tudo o que lhe aconteceu. Porém, o olhar sereno e acolhedor revela uma mãe que, apesar de todo o sofrimento, transborda amor.

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