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Saiba o que foi o AI-5, citado por Eduardo Bolsonaro

O mais duro dos atos institucionais do período da ditadura militar (1964-1985) voltou ao centro das atenções após o deputado federal e líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro, dizer que "se esquerda radicalizar, resposta pode ser um novo AI-5"

Redação com agências
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Publicado em 31/10/2019 às 14:14
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Foto: Presidência da República
O mais duro dos atos institucionais do período da ditadura militar (1964-1985) voltou ao centro das atenções após o deputado federal e líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro, dizer que "se esquerda radicalizar, resposta pode ser um novo AI-5" - FOTO: Foto: Presidência da República
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O AI-5, considerado o mais duro dos atos institucionais do período da ditadura militar (1964-1985), voltou ao debate nesta quinta-feira (31) após o deputado federal e líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro, dizer que "se esquerda radicalizar, resposta pode ser um novo AI-5". O ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio, reagiu, partidos políticos também e a repercussão da declaração do filho do presidente Jair Bolsonaro tomou enormes proporções. Mas afinal, o que foi o tão falado AI-5?

O AI-5 autorizava o presidente da República a decretar o recesso do Congresso Nacional, das assembleias legislativas e das câmaras de vereadores, cassar mandatos de parlamentares e suspender direitos políticos dos cidadãos. Em 13 de dezembro de 1968, Costa e Silva fechou o Congresso Nacional por tempo indeterminado. Segundo registro da Câmara, o Congresso só voltou a funcionar dez meses depois.

>>> Leia também: Igor Maciel: Com AI-5, Eduardo Bolsonaro disputa com Carlos para ver quem fala mais bobagem

Além do então presidente da República, assinaram o AI-5: Luís Antônio da Gama e Silva, Augusto Hamann Rademaker Grünewald, Aurélio de Lyra Tavares, José de Magalhães Pinto, Antônio Delfim Netto, Mário David Andreazza, Ivo Arzua Pereira, Tarso Dutra, Jarbas Passarinho, Márcio de Souza e Mello, Leonel Miranda, José Costa Cavalcanti, Edmundo de Macedo Soares, Hélio Beltrão, Afonso Lima e Carlos de Simas. A justificativa era assegurar a ordem e a tranquilidade no país.

No fim de dezembro de 1968, o governo cassou o mandato de Marcio Moreira Alves, por causa do discurso de setembro, feito em protesto contra a invasão da Universidade de Brasília (UnB) pelos militares. Ao defender a democracia, o então deputado do MDB disse que deveriam cessar, no país, as relações entre civis e militares. "Os militares vão pedir aos colégios que desfilem junto com os algozes dos estudantes. Que cada um boicote esse desfile. Esse boicote deve passar também às moças que dançam com cadetes e namoram jovens oficiais", afirmou Moreira Alves, morto em 2009.

Veja a íntegra da entrevista 

Era ampla a abrangência do AI-5. O presidente da República tinha poder para intervir nos estados e municípios, o habeas corpus por crimes de motivação política foi suspenso, foi instituída a censura prévia de obras culturais e dos meios de comunicação, as reuniões políticas dependiam de autorização policial e havia toque de recolher em todo o país. Além da cassação dos mandatos eletivos, o AI-5 permitia que o presidente destituísse funcionários públicos, incluindo os juízes.

Abertura

Dez anos depois de instituído, o AI-5 foi revogado no dia 13 de outubro de 1978, pelo Artigo 3º da Emenda Constitucional 11, promulgada no governo do general Ernesto Geisel (1974-1979), já como parte do processo de abertura política. A emenda restaurou o habeas corpus, mas proibiu que os efeitos do AI-5 fossem contestados judicialmente.

Declaração de Eduardo

O deputado federal e líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro, disse que "se a esquerda radicalizar", a resposta pode vir "via um novo AI-5". A declaração foi dada na última segunda-feira (28), em entrevista à jornalista Lêda Nadgle publicada nesta quinta-feira (31) em seu canal do Youtube. Portanto, antes da reportagem da TV Globo que revelou citação do nome do presidente Jair Bolsonaro nas investigações do Caso Marielle.

"Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta. E uma resposta pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada através de um plebiscito como ocorreu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada", disse o filho do presidente Jair Bolsonaro. 

Eduardo também reclamou das críticas que o pai vem recebendo. "Fogo na Amazônia, que sempre ocorre —eu já morei lá em Rondônia, sei como é que é, sempre ocorre nessa estação— culpa do Bolsonaro. Óleo no Nordeste, culpa do Bolsonaro. Daqui a pouco vai passar esse óleo, tudo vai ficar limpo e aí vai vir uma outra coisa, qualquer coisa —culpa do Bolsonaro", concluiu.

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