FALECIMENTO

Personagem do golpe de 64, o coronel Villocq morre aos 93 anos

Protagonista de um dos episódios mais marcantes do golpe - a tortura a Gregório -, Darcy Villocq faleceu na última quarta-feira

Maria Luiza Borges
Maria Luiza Borges
Publicado em 10/03/2012 às 0:10
Leitura:

Protagonista de um dos episódios mais marcantes dos primeiros momentos do Golpe Militar de 1964, em Pernambuco, o coronel do Exército Darcy Ursmar Villocq Vianna - o coronel Villocq - morreu, aos 93 anos, na última quarta-feira (7), no Recife, devido a complicações cardiorrespiratórias.

Oficial da Infantaria e comandante da Companhia de Motomecanização, em Casa Forte, Villocq recebeu, no dia 2 de abril de 64, o preso Gregório Bezerra, ex-sargento do Exército e histórico dirigente do PCB. Sob tortura, Gregório foi recebido no quartel, para depois ser arrastado pelas ruas do bairro, amarrado por três cordas ao pescoço. Foi salvo pelo clamor das senhoras e religiosos. Militar polêmico, os filhos do coronel Villocq optaram pela discrição na despedida. O corpo foi cremado à tarde do mesmo dia no Cemitério Morada da Paz, em Paulista.

Oficial com formação na área de engenharia, coronel Darcy Villocq chegou a fazer curso nos Estados Unidos, especializando-se em motomecanização, em 1945, no final da Segunda Grande Guerra. “Só não foi para a Itália porque o conflito acabou”, revela um dos quatro filhos do coronel, o economista Marcelo Villocq. Integrante da ala da linha dura da ditadura militar, o episódio das torturas em Gregório não o impediu de se tornar secretário de Segurança Pública de Pernambuco, em 1969, no governo Nilo Coelho.

Em raro depoimento sobre 1964, concedido à historiadora Eliane Moury Fernandes, em 1982, o coronel Villocq elogia a coragem de Gregório, afirma que o comunista foi entregue “todo quebrado” e nega que tenha lhe torturado. “...o Gregório Bezerra foi quem teve atitude. Foi preso, não denunciou ninguém. Disse que era comunista, nasceu comunista... De todos, Gregório é que foi homem. ...Não dei porque não havia onde dar; ele já tinha apanhado tanto...”, disse Villocq.

O coronel negou, também que tenha arrastado Gregório. Afirma, no depoimento, que tinha recebido a informação que iam resgatar e soltar o preso. “...tomei um impulso. Peguei dois sargentos armados... Ele saiu comigo com a cordinha no pescoço, de leve... Não apertei”.

A versão esbarra no que conta Gregório em seu livro de memórias: “Recebeu-me a golpes de cano de ferro na cabeça... Outros me desferiram pontapés e coronhadas... Laçaram-me o pescoço com três cordas... E assim fui arrastado pelas principais ruas de Casa Forte”.

Leia mais na edição do Jornal do Commercio

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias