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André de Paula deixa Secretaria das Cidades para votar pela abertura do impeachment

Deputado federal licenciado diz que decisão é para honrar os votos que lhe foram confiados

Marcela Balbino
Marcela Balbino
Publicado em 28/03/2016 às 17:34
Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
Deputado federal licenciado diz que decisão é para honrar os votos que lhe foram confiados - Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
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Deputado federal licenciado, o atual secretário das Cidades do Estado, André de Paula (PSD), deve deixar o cargo nos próximos dias para retomar o mandato na Câmara Federal. A decisão, divulgada em nota oficial, foi motivada pela aceleração do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) que corre na Casa Legislativa. 

Na nota, divulgada hoje, o deputado explica que conversou com o governador Paulo Câmara (PSB) e que o gesto tem o objetivo de dar um retorno ao "100 mil pernambucanos que me confiaram o seu voto". 

Até o momento, ainda não há uma data definida para o desembarque de André de Paula do governo estadual. 

Apesar de o PSD fazer parte do chamado “centrão” da base aliada, a legenda começou a dar sinais mais fortes de que pode desembarcar em breve.

À frente dos Ministério das Cidades, o PSD decidiu liberar seus 31 deputados para votar como quiserem em relação ao impeachment na Câmara.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA:

A Câmara dos Deputados decidirá nas próximas semanas se admite, ou não, a instauração de processo de impeachment contra a presidente de república. A decisão que se avizinha denota o agravamento da crise política e, sobretudo, a certeza de que a presidente perdeu as condições de governar.

O processo de impeachment é providência jurídica legítima e adequada, com previsão constitucional, para promover o afastamento do presidente que comete crime de responsabilidade. A esta altura, já não parece haver mais dúvida de que a presidente, ao adotar as chamadas pedaladas fiscais, incorreu em tal crime; não se trata de ficção jurídica como defende setores do governo e a própria presidente. A fraude nas conta públicas, levada a efeito pela presidente em anos sucessivos, inclusive em 2015, foi descoberta pelo Tribunal de Contas da União, em trabalho de impressionante precisão técnica.

Mas, para além do tecnicismo jurídico, o fato é que o governo da presidente Dilma, afundado em escândalos de corrupção sem precedentes, com envolvimento direto de sua alta cúpula e com baixíssimos índices de aprovação, não reúne mais capital político para liderar as reformas (mínimas) que o país precisa, neste momento de gravíssima crise econômica. Em claro português, estamos falando de um governo que já não mais consegue viabilizar um plano para enfrentar a inflação, a recessão e o desemprego, considerado o maior dos últimos 25 anos.

O momento é muito difícil e delicado. A decisão pelo impeachment, por sua vez, é medida dura, mas inevitável.

Nesse contexto, reassumirei, nos próximos dias, o mandato de deputado federal. Estarei em plenário para votar a favor da abertura do processo de impedimento da presidente. Hoje pela manhã tratei de comunicar a minha decisão ao Governador Paulo Câmara.

Voltarei à Câmara dos Deputados em respeito aos mais de 100 mil pernambucanos que me confiaram o seu voto. Muitos deles estiveram democraticamente nas ruas para exigir o afastamento da presidente.

Votarei com independência, transparência e firmeza de convicções, honrando a expectativa de milhares de pernambucanos e de milhões de brasileiros.

André de Paula


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