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Crise econômica é algoz de Dilma e estimula pressão por impeachment, aponta IPMN

Recifenses avaliam que se a situação da economia fosse boa, não haveria apoio da população ao impeachment

Da Editoria de Política
Da Editoria de Política
Publicado em 10/04/2016 às 9:55
Foto:Folhapress
Recifenses avaliam que se a situação da economia fosse boa, não haveria apoio da população ao impeachment - FOTO: Foto:Folhapress
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Desde 2013 os brasileiros veem a crise política se aprofundar e a imagem da presidente Dilma Rousseff ruir frente aos sucessivos escândalos de corrupção envolvendo membros do seu governo, investigados na Operação Lava Jato. À primeira vista, a deterioração do governo tem como causa primária o esfacelamento das relações de poder. Porém, pesquisa feita pelo Instituto Maurício de Nassau (IPMN), no Recife, aponta que a crise - que pode culminar com o impeachment de Dilma - é embalada pela deterioração econômica muito mais do que pela política. Dos recifenses ouvidos, 76,2% têm conhecimento sobre a crise econômica e, desse total, 70% avaliam que se não existisse crise na economia do País, "várias pessoas deixariam de ser favoráveis" ao afastamento.

Com base nos números expostos, o professor da UFPE e coordenador da pesquisa do IPMN, Adriano Oliveira, explica que o mau desempenho da economia é o fator responsável pelo efeito caótico do cenário político. Caso os números fossem positivos, os eleitores não estariam discutindo a deposição presidencial.

"O principal não é a corrupção, mas a economia. Se a economia estivesse bem, como na época de Lula, não teríamos a discussão em torno das pedaladas", explicou. O professor avalia que, diferente do que afirmam alguns cientistas políticos do País, não há um amadurecimento da sociedade no combate à corrupção, mas o fator estimulante para pedir a saída de Dilma é o declínio econômico.

Há 11 anos, época em que explodiu o escândalo do mensalão, o Brasil estava em pleno crescimento do PIB, na casa dos 4%. Hoje, a retração é de 3,8% e a inflação voltou a assombrar os consumidores. "Na época do mensalão, a economia estava em expansão e Lula conseguiu conquistar a opinião pública. Isso significa que os eleitores reconhecem que se a economia estivesse boa não seria necessário impeachment", pontuou Adriano Oliveira.

O levantamento mostra que a maioria dos entrevistados (59,9%) é favorável ao impeachment, mas só 1% compreende o real motivo para seu pedido: as chamadas pedaladas fiscais. O percentual dos recifenses que pedem a saída de Dilma está alinhado ao sentimento refletido nas pesquisas de abrangência nacional.

Para 43,7% dos entrevistados, a petista deve ser deposta porque seria considerada "corrupta", embora não haja nenhuma investigação em curso contra ela. Outros 16,1% avaliam que Dilma deve sair porque "não sabe governar".

Está em análise na Câmara dos Deputados o parecer em favor do pedido de impeachment contra a presidente. Amanhã, acontece a votação do relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) pedindo seu afastamento. O resultado será lido no plenário na terça. Na quarta, ele será publicado no Diário da Câmara - a partir de então, serão contadas 48 horas para o início da discussão e votação no plenário.

Quando questionados se acreditam que a presidente sofrerá o impedimento, a opinião dos entrevistados se divide: 46,2% dos recifenses acreditam que Dilma será afastada enquanto 45,6% creem que ela completará seu mandato.

GOLPE

Embora o País experimente dias de polarização extrema, a pesquisa aponta que, no Recife, para mais da metade dos entrevistados (59,9%) impeachment não é considerado golpe à democracia. Os defensores do governo pregam que o impedimento seria uma ruptura institucional.Mas para 51,3% dos entrevistados, a saída menos traumática da crise seria a realização de nova eleição presidencial, como defendeu semana passada a ex-candidata à Presidência da República Marina Silva (Rede).

Para chegar à radiografia do cenário, o instituto ouviu 624 pessoas no início da semana (dias 4 e 5 de abril). As entrevistas foram realizadas somente no Recife e os entrevistados tinham que ser eleitores com mais 16 anos. A margem de erro é de quatro pontos para mais ou para menos. Do percentual de pessoas ouvidas, 55,3% são mulheres e 48,9% têm ensino médio completo ou superior incompleto.

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