Lula na Rádio Jornal

Lula diz que Dilma errou por não cumprir promessas de campanha ao 'mexer no bolso do trabalhador'

Apesar da crítca, ex-presidente diz que não vê razões para o impeachment da petista

Franco Benites
Franco Benites
Publicado em 12/07/2016 às 8:59
Sistema Jornal do Commercio de Comunicação
Apesar da crítca, ex-presidente diz que não vê razões para o impeachment da petista - FOTO: Sistema Jornal do Commercio de Comunicação
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De passagem por Pernambuco, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu uma entrevista exclusiva à Rádio Jornal, do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, e reconheceu que a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) teve uma grande parcela de responsabilidade pela perda de apoio popular. Segundo o petista, a correligionária errou ao não colocar em prática as propostas apresentadas durante a campanha eleitoral de 2014.

>> Confira a íntegra da entrevista à Rádio Jornal

"Ela sabe disso, o PT sabe, o movimento sindical sabe, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) sabe. Ninguém se conformou da Dilma ter dito durante a campanha que não ia mexer no bolso e no direito do trabalhador e depois apresentar um processo de reforma que não era aquele que o trabalhador queria. Isso jogou todo o nosso pessoal contra ela. Dilma começou a perder apoio a ponto de chegar em março e perder mais de 80% das pessoas que tinham votado na gente. As pessoas estavam indignadas dela ter colocado em prática o programa do adversário", disse.

Apesar das críticas a Dilma, Lula afirmou de forma categórica que não há motivos para a presidente ser afastada do cargo. "Ter baixa popularidade não é motivo para um golpe, para destitui-la. Não é porque uma presidente não está bem nas pesquisas que se pode afastá-la", declarou.

Por diversos momentos, a entrevista de Lula foi dúbia. Embora tenha defendido o legado do PT à frente do Brasil, juntando a sua administração e a de Dilma, ele fez críticas ao momento atual do País e reforçou que não concorda com o programa econômico colocado em prática pela sucessora.

"A economia não está bem, o desemprego está aumentando. Sei que tem crescido o desemprego e tudo isso me incomoda. Em dezembro de 2014, o Brasil chegou a 4.3% de desemprego. Era o mesmo nível da Finlândia, da Noruega. De repente, a coisa desanda, uma mistura de coisas equivocadas na economia", opinou, ressalvando, no entanto, que o Congresso limitou a margem de manobra para Dilma governar.

Ao falar da equipe econômica de Dilma e do presidente interino Michel Temer (PMDB), Lula disse que só tem responsabilidade sobre as suas próprias escolhas.

"Eu não monto equipe econômica para ninguém. Eu monto para mim. Montar equipe econômica é quase como se fosse um maestro ou técnico de futebol. Você coloca o seu time em campo e vai coordenando, dando ordem, pedindo, exigindo, cobrando. Conversei com Dilma sobre a política econômica dizendo o que deveria ser feito, mas a gente respeita quando a pessoa que está no mandato faz as escolhas", declarou.

Nos 45 minutos de entrevista, Lula evitou falar diretamente do governo Temer mesmo quando foi questionado diretamente sobre o assunto. Ao citar rapidamente a gestão peemedebista, foi crítico. 

"Não vou fazer julgamento do governo Temer porque é um governo interino. O Temer deu um golpe na decisão do Senado. Se é interino, não poderia fazer o que fez.  Mandou até o coitadinho do café embora, alegando suspeição que era informante do Lula e da Dilma. Trocou ministro da Fazenda, mas vai que a Dilma volta", avaliou. 

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Lula reforçou que crê no retorno de Dilma ao posto de presidente da República. "É mais fácil derrubar o impeachment porque ela depende de seis votos. São seis senadores que podem mudar o destino do país. Só o povo devia tirá-la ou o Congresso, se ela tivesse cometido crime. Mas ela não cometeu. Pegaram a presidente em uma situação de baixa popularidade", enfatizou.

O ex-presidente disse que não gostaria de ter estar no Planalto durante as últimas horas de Dilma como presidente da República e detalhou como foi a conversa com a colega de partido no dia em que ela deixou o posto.

"Eu não queria ter vivido aquele momento, nem queria ir lá. Fui lá porque achei que devia ser solidário. Falei para Dilma: 'não é dia de chorar ou de rir, é dia de indignação. Você tem que ficar indignada. Você não cometeu o crime que jogaram em cima de você. Eu estava lá por solidariedade, mas estava mal", revelou.

Ao longo da entrevista, Lula reforçou, sempre que possível, que não vê elementos para Dilma ser afastada do cargo. "Jamais imaginei que a Dilma fosse sair do governo assim. Ela é uma mulher séria, competente", declarou.

No giro por Pernambuco, Lula ainda passará pelas cidades de Carpina, na Zona da Mata, Caruaru, no Agreste, e Recife. Na capital pernambucana, o PT organiza um ato no centro da cidade a ser realizado na tarde desta quarta-feira (13).

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