LEGISLATIVO

Após eleição, Câmara do Recife corta gratificações de servidores para fechar contas

Corte súbito nas remunerações pegou vereadores e funcionários de surpresa. Nos bastidores, leitura é que houve falta de planejamento orçamentário

Marcela Balbino
Marcela Balbino
Publicado em 26/10/2016 às 7:05
Felipe Ribeiro/JC Imagem
Corte súbito nas remunerações pegou vereadores e funcionários de surpresa. Nos bastidores, leitura é que houve falta de planejamento orçamentário - FOTO: Felipe Ribeiro/JC Imagem
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Passado o fim da eleição, funcionários comissionados da Câmara dos Vereadores do Recife tiveram uma surpresa negativa nas finanças. Sem aviso prévio, servidores dos gabinetes tiveram corte das gratificações no salário. Alguns tiveram a remuneração reduzida pela metade. A medida faz parte de um contingenciamento nas contas da Casa, definido semana passada após reunião da Mesa Diretora com o primeiro-secretário, Augusto Carreras (PSB).

Informações de bastidores apuradas pela reportagem do JC com vereadores dão conta que o rombo orçamentário é entre R$ 3,5 e R$ 4 milhões. Segundo interlocutores, o que houve foi falta de planejamento do primeiro-secretário, a quem cabe a responsabilidade sobre as finanças da Casa. 

O corte súbito e sem aviso prévio gerou revolta entre vereadores e servidores. Na Câmara, o clima é de desencontro nas informações. Funcionários dos gabinetes souberam do corte quando conferiram o salário nas contas. No entanto, eles ainda não receberam os contracheques, por isso não souberam precisar qual gratificação foi cortada. Também houve corte na verba indenizatória dos vereadores (R$ 4,6 mil por mês).

COBRANÇAS

A vereadora Isabella de Roldão (PDT) cobrou explicações sobre o caso ao presidente da Câmara, vereador Vicente André Gomes (PSB), durante sessão desta terça-feira (25) 

“Funcionários nos procuraram para saber do ocorrido e queria que isso fosse publicizado, porque tudo o que diz respeito ao público precisa ser divulgado. Não há justificativa plausível para o ato. Devemos satisfação a eles e quero compreender o que aconteceu, porque do dia para noite tiram esse valor”, questionou Isabella. 

O presidente afirmou que não houve redução nos salários, mas cortes nas “encarregaturas”. O termo se refere às gratificações não incorporadas ao salário pagas a funcionários cedidos da Prefeitura do Recife. 

Apesar da declaração, comissionados que trabalham em gabinetes e não são cedidos também sofreram o corte. Segundo Vicente, a reunião aconteceu há cerca de 10 dias e o primeiro-secretário apresentou a proposta. O presidente não soube dizer quanto será economizado. “A quem compete informações sobre finanças é ao primeiro-secretário. O ideal era Augusto falar com você”, disse Vicente. “Ele fez esse corte para poder fechar a contabilidade até dezembro”, acrescentou. 

O malabarismo financeiro para fechar as contas não foi publicado no Diário Oficial, mas o presidente assegurou que as informações serão divulgadas. 

Alguns vereadores, como Carlos Gueiros (PSB), dividiram o expediente dos funcionários. “Peguei uma parte do pessoal e coloquei de manhã e outra parte coloquei à tarde”, explicou. Um dos cortes foi no auxílio-alimentação. 

As gratificações estão suspensas até o fim do ano. Com a próxima legislatura, a nova mesa deve fazer novo planejamento. A receita da Casa José Mariano é resultado do duodécimo repassado pela Prefeitura do Recife. O balanço do último quadrimestre, divulgado em setembro, mostrou que o orçamento da Câmara para este ano é R$ 136 milhões. Desse total, R$ 89 milhões já foram liquidados.

O primeiro-secretário, Augusto Carreras, foi procurado pela reportagem ao longo de toda a tarde de ontem. Ele não participou da sessão nem atendeu aos telefonemas. 

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