Oposição

Em seu primeiro discurso na Alepe, líder da oposição chama governador de 'geringonça'

O presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Eriberto Medeiros, pediu para que o deputado Marco Aurélio não repetisse mais a expressão

Editoria de Política
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Publicado em 06/02/2019 às 7:00
Foto: Jarbas Araújo/Alepe
O presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Eriberto Medeiros, pediu para que o deputado Marco Aurélio não repetisse mais a expressão - FOTO: Foto: Jarbas Araújo/Alepe
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Nesta terça-feira (5), o líder da bancada de oposição da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Marco Aurélio Meu Amigo (PRTB), subiu pela primeira vez a tribuna para discursar enquanto deputado estadual eleito em outubro do ano passado. A fala do deputado deu o tom de como pode ser a relação entre o governo e oposição nos próximos quatro anos, quando, em dado momento, ele classificou o governador Paulo Câmara (PSB) de "geringonça".  

No início do discurso, Marco Aurélio citou o ex-governador Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em agosto de 2014. "Eduardo era um gênio e dentro dessa genialidade, ele conseguiu criar dentro da mente dele uma 'geringonça'. Ele disse 'Eu vou criar uma geringonça, porque criando essa geringonça, eu vou tocar ela, vou levar ela, vou administrar, porque vou sair do governo e vou tocando a geringonça e a geringonça vai andando. Mas ai o que é que aconteceu? Infelizmente Eduardo foi embora, mas a geringonça ficou. E a geringonça ficou sem ninguém para dizer 'vá por aqui, vá por ali'", disparou o líder da oposição. 

O presidente da Alepe, Eriberto Medeiros (PP), chegou a pedir que ele não repetisse mais a expressão "porque não condiz com as atividades da Casa de Joaquim Nabuco", disse. Com isso, o deputado leu o significado da palavra no dicionário "Malfeito, estrutura frágil e funcionamento precário. Não preciso mais chamar de geringonça, porque agora todo mundo já sabe que é geringonça mesmo", afirmou Marco Aurélio. 

Pauta da segurança

A sua fala foi voltada às declarações do governador Paulo Câmara (PSB) na última sexta-feira (1º) durante a cerimônia de posse dos deputados estaduais da 19ª legislatura da Casa, em relação a segurança pública. Na ocasião, o socialista expôs o Relatório de Ação do Governo no ano de 2018, com os principais resultado da gestão no período. "Ressalte-se que, com todas essas medidas, num ano de crise e pouca oferta de emprego, alcançamos resultados positivos, com diminuição de 23,2% no número de homicídios, em relação a 2017, representando a maior redução nos registros de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) desde a criação do Programa Pacto Pela Vida, em 2007", disse o governador. 

O líder da oposição levou à tribuna um gráfico de evolução dos CVLIs do governo Eduardo Campos até o governo Paulo Câmara. Em 2013, foram 3.100 homicídios. Em 2014 subiu para 3.434, chegando a 2017 com 5.427 assassinatos, pior ano do Pacto Pela Vida. "Quando Eduardo pegou o governo, ele pegou índice de assassinato, de criminalidade, de agressão contra a mulher aqui, ai ele saiu descendo os índices. Aí ele entregou ao atual governador, aquela geringonça. É uma linha reta, parece um foguete subindo. Ai o governador disse assim '2018 em relação a 2017 melhorou'. Porque ele não fala em relação a quando ele pegou o governo, que é 3.100? Sabe por que ele não fala? Porque a 'geringonça' não conseguiu fazer o dever de casa, porque as
mulheres estão sendo agredidas, o número de feminicídios está aumentando", disse Marco Aurélio. 

O líder da bancada do governo, o deputado Isaltino Nascimento (PSB), subiu a tribuna para rebater o oposicionista e atribuiu a sua fala a uma "frustração". Em 2014, o governador Paulo Câmara foi escolhido pelo seu líder maior (Eduardo Campos) para ser o seu sucessor. Certamente, uma parte da fala do líder da oposição guarda essa frustração de alguns por terem sidos preteridos da escolha do governador Paulo Câmara, que outrora faziam parte da bancada de governo e não foram escolhidos para serem sucessor de Eduardo Campos", disparou Isaltino. 

Segundo Isaltino, o governador provou sua competência em três grandes momentos: Na sua eleição em 2014, após a morte de Eduardo, quando conseguiu se eleger; Durante a crise econômica entre os anos de 2015 e 2017, quando manteve as contas Estado e em 2018, quando conquistou a reeleição. "Para o desprazer de alguns, que certamente ainda estão roendo e usando inclusive termos chulos. Não quero fazer nenhum tipo comentários sobre como se comportar em uma tribuna política. Usar termos pejorativos, chulos, tentar atacar a denegrir a imagem de pessoas, jamais o líder do governo irá faze-lo. A sociedade quer de nós um comportamento na altura que é o nosso nível que é o parlamento pernambucano. Da parte do governo não haverá esse nível
rasteiro, mesquinho, tampouco agressivo, que não ajuda a gente a poder desenvolver um debate de ideias", completou Isaltino. 

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