reforma da previdência

Igor Maciel: Depois de ser contra capitalização de Paulo Guedes, PSB cria modelo próprio

'Se Guedes apresentasse a mesma proposta de capitalização de Paulo Câmara, o PSB o apoiaria pelo bem da saúde fiscal brasileira?' Leia o comentário de Igor Maciel

Marcelo Aprigio
Marcelo Aprigio
Publicado em 26/11/2019 às 9:28
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'Se Guedes apresentasse a mesma proposta de capitalização de Paulo Câmara, o PSB o apoiaria pelo bem da saúde fiscal brasileira?' Leia o comentário de Igor Maciel - FOTO: Foto: Roberto Pereira/Gov. Pernambuco
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Igor Maciel, da coluna Pinga Fogo*

Uma pergunta importante que fica no ar após a justificativa do Governo do Estado sobre a capitalização em Pernambuco. Por todos os últimos meses em que foram discutidas as propostas do ministro da Economia Paulo Guedes sobre Previdência, o que se ouvia é que a capitalização era um ponto inegociável pelas “forças que defendem o povo mais pobre e os funcionários públicos do país”. Era um discurso bonito.

Ato seguinte, o governo Paulo Câmara implementa a sua própria capitalização para os funcionários públicos estaduais. Esses funcionários agora estão revoltados, reclamando que vão precisar contribuir em dois sistemas. Nas palavras dos representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação, “será preciso contribuir duas vezes para ter uma remuneração menos ruim”. Nas palavras dos representantes do Sinpol, "o governo rasgou o discurso de oposição à reforma”. Cada um realizando seu papel de reclamar de tudo, não surpreende. A surpresa está na explicação tergiversante do Palácio do Campo das Princesas. É capitalização sim, mas não se preocupem porque "não é aquela de Paulo Guedes”. Essa é mais bonita e boazinha, talvez, porque é pernambucana. É isso? E aí surge a tal questão importante. Paulo Guedes, caso estivesse interessado nisso, poderia perguntar: então o problema não era a capitalização, era o modelo?

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A questão é importante porque é preciso definir se todo aquele discurso raivoso, em que as veias saltavam aos olhos para defender a população brasileira do "regime de capitalização nefasto” que “não deu certo em lugar nenhum” era algo lato ou stricto. Era no sentido amplo ou no específico? O modelo de capitalização do PSB daria certo, no lugar da capitalização de Paulo Guedes? Se, agora, nacionalmente, o ministro da Economia resolvesse apresentar uma proposta de capitalização nos moldes da apresentada por Paulo Câmara, o PSB o apoiaria com as veias saltadas de sempre, pelo bem da saúde fiscal brasileira? É preciso saber, porque ainda dá tempo.

Se a resposta for positiva, é importante que Guedes conheça o modelo pernambucano de capitalização e lhe seja oferecido apoio por parte de toda a bancada do PSB para apresentar essa ideia ao Congresso o mais rápido possível, pelo bem das contas do Brasil ainda nesse governo Bolsonaro, o que certamente é o objetivo de todos os brasileiros. Imagine o sucesso que será, um regime que atende ao discurso de quem chamava a capitalização de "maldade contra o povo". Certamente estaria agradando toda a oposição. Inclusive o PT, que por aqui é aliado dos socialistas, e poderá nos próximos dias adiantar sua posição sobre isso, em Pernambuco. Aguardemos.

*Igor Maciel é titular da coluna Pinga Fogo, no Jornal do Commercio

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