Eleições 2020

'É hora de abrir espaço para o novo', diz Patrícia Domingos, pré-candidata a prefeita do Recife

Em entrevista ao JC, Patrícia Domingos avalia governo Bolsonaro, analisa cenário da oposição em Pernambuco e faz críticas aos seus possíveis adversários

Luisa Farias
Luisa Farias
Publicado em 21/02/2020 às 20:00
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Em entrevista ao JC, Patrícia Domingos avalia governo Bolsonaro, analisa cenário da oposição em Pernambuco e faz críticas aos seus possíveis adversários - FOTO: Foto: Divulgação
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"A população evoluiu, as pessoas estão mais conscientes, então realmente é a hora de abrir espaço para o novo", afirma a delegada e agora pré-candidata à Prefeitura do Recife nas eleições municipais, Patrícia Domingos. Após inúmeras especulações, ela resolveu pedir licença do seu cargo de delegada e no último dia 5 de fevereiro filiou-se ao Podemos, quando também lançou oficialmente sua pré-candidatura.

A extinção da Delegacia de Crimes contra a Administração e Serviços Públicos (Decasp) pelo governo Paulo Câmara (PSB), que provocou a sua saída do cargo de delegada titular, foi o ponto de virada para fazer com que Patrícia decidisse entrar na política para "mudar o sistema de dentro para fora", segundo ela. 

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Em entrevista ao JC, Patrícia Domingos avalia o governo do presidente Jair Bolsonaro, analisa cenário da oposição em Pernambuco e faz críticas aos seus possíveis adversários na disputa pelo comando da capital pernambucana, João Campos e Marília Arraes, a quem classifica de "familiocracia". 

Veja a entrevista completa

JORNAL DO COMMERCIO - Por que a senhora decidiu escolher o Podemos em detrimento de outros partidos que demonstraram interesse em recebê-la na sigla?

PATRÍCIA DOMINGOS - A nossa escolha pelo Podemos se dá principalmente pelo fato dele ser um partido que defende as mesmas pautas que nós defendemos há muitos anos, em especial o combate à corrupção, a transparência na gestão, a participação democrática. A gente defende essas pautas há muitos anos em Pernambuco. É um dos partidos que mais apoiou a Operação Lava Jato e que apoiou também numericamente as pautas do governo federal. É o partido que guarda coerência com a nossa postura, com a nossa firmeza, com a nossa ética, que tem a cara de Patrícia Domingos.

JC - No evento de lançamento da sua candidatura, o senador Álvaro Dias fez algumas críticas ao governo de Jair Bolsonaro. A senhora corrobora com essa visão?

PATRÍCIA - O lado bacana do Podemos é que os parlamentares têm liberdade para se expressar, de se posicionar, então você vai ver dentro do mesmo partido em alguns momentos senadores tendo posicionamentos diferentes uns dos outros. E isso também foi um ponto importante para a minha escolha pelo Podemos, que eu vou ter a liberdade também de opinar e de discordar.

JC - Como avalia a gestão do governo de Jair Bolsonaro?

PATRÍCIA - Eu apoio as grandes reformas que vêm sendo implementadas, o esforço que o governo Bolsonaro vem fazendo para melhorar a situação do País, que passou mais de uma década sendo saqueado por gestões reiteradas que estavam em um esquema muito grande de corrupção. A gente não pode esperar que em um governo com apenas um ano, o presidente possa transformar um País que estava praticamente em coma em um país altamente produtivo. Temos que reconhecer o grande esforço do governo federal para literalmente botar a casa em ordem e fazer com que o País progrida e cresça.

JC - Existe uma aproximação da sua candidatura com o "bolsonarismo" ou há um apoio voltado para as ações do governo, e não personalizada na figura de Bolsonaro?

PATRÍCIA - Eu sempre falo para as pessoas, e isso é um posicionamento de Patrícia domingos há anos, eu apoio ideias. Todas as ideias que forem produtivas para o nosso País, que façam com que ele cresça, serão apoiadas independentemente da autoria. O que a gente vê hoje é uma cobrança muito intensa em relação a um governo muito jovem. Há um esforço muito grande e é isso que nós apoiamos, o esforço de todos aqueles que querem que o País cresça.

JC - A senhora está inserida no grupo de oposição ou tem a intenção de se apresentar como uma terceira via?

PATRÍCIA - O Podemos está inserido no grupo da oposição. Eu, Patrícia Domingos, sou uma das grandes apoiadoras da união da oposição. A gente vem pregando essa união desde antes da minha filiação ao Podemos. Entendemos como uma solução viável a união da oposição em torno de um projeto para que se possa encerrar um ciclo de poder extremamente longo exercido pelo PSB no estado de Pernambuco. Esse é o maior objetivo, que haja uma oxigenação, essa alternância do poder que inclusive é saudável para a democracia. É um momento da oposição voltar a protagonizar.

JC - Isso seria em torno de um só nome?

PATRÍCIA - Eu acredito que não é o momento dessa decisão ser tomada. A gente está em fevereiro, a convenção acontece de maio para junho, então daqui até a convenção a gente vai ter tempo de analisar inclusive o crescimento das pessoas que se colocam hoje como pré-candidatas, que são pessoas inclusive que têm a minha admiração. As pessoas sabem da minha admiração por Daniel Coelho, por Charbel. Hoje o que eu vejo são excelentes nomes no campo da oposição. A gente espera que se dê um tempo para que esses nomes possam avançar para que daqui a alguns meses se sente e se decida se a melhor estratégia seria uma candidatura ou de repente duas candidaturas, mas neste momento eu acho que não é possível fazer essa avaliação. 

JC - A senhora atribuiu a extinção da Decasp como um ponto de virada na sua vida. Como foi o processo para chegar à conclusão de que valeria a pena entrar na política?

PATRÍCIA - O fechamento da delegacia para a gente foi um evento traumático, foi extremamente lamentável a forma como aconteceu. Quando eu me vi impedida de, dentro da polícia, continuar levantando a bandeira do combate à corrupção, foi quando eu decidi iniciar um ciclo de palestras sobre isso e conscientizar a população a também combatê-la. Eu comecei a assimilar que você não consegue mudar o sistema de fora para dentro. Eu sou o maior exemplo disso. Eu vi Foi no chamado da população para que a gente viesse como uma opção para a Prefeitura do Recife como uma oportunidade de voltar a defender o povo pernambucano, mas tentando mudar o sistema de dentro para fora. E aí sim, estruturando uma prefeitura limpa, com uma gestão transparente, com o bom uso dos recursos públicos, sem corrupção.

JC - O que mais podemos esperar da sua candidatura?

PATRÍCIA - O que a gente elenca como prioridade hoje é primeiramente o combate a corrupção, que é a fonte de toda a má prestação de serviço público, segurança pública, não é admissível que nós tenhamos que viver dentro de uma cidade onde você não pode atender um celular na rua que você é furtado, onde as pessoas têm medo de andar na rua. Isso influencia em todas as outras áreas, inclusive no turismo. A gente vê a orla de Boa Viagem à noite realmente abandonada porque as pessoas têm medo de ser roubadas. As outras questões extremamente fundamentais são o ensino fundamental, o índice no Ideb da cidade do Recife no ensino fundamental é muito baixo. A mobilidade urbana aqui é caótica, o morador do Recife sofre diuturnamente com o trânsito, com má prestação de serviços de transporte e o turismo que está abandonado. Eu moro há 12 anos nessa cidade e só vi o turismo involuir. Fortaleza, Salvador já ultrapassaram muito o Recife neste aspecto. Quando a gente pensa no turismo pensa em recuperar a auto estima do povo recifense. Eu amo minha cidade, quero que ela cresça e a gente pensa muito no investimento no turismo, até porque traz retorno para a cidade na forma de emprego e diversas outras formas.

JC - O que pode ser feito pelo município para contribuir com a questão da segurança pública?

PATRÍCIA - De acordo com a Constituição, a segurança pública é direito de todos e dever do estado. E é dever do estado nas três esferas. Eu considero o município como a linha de frente em uma atuação preventiva da violência urbana. De que forma? Com uma guarda municipal armada e bem treinada. É inadmissível você colocar um agente de segurança na rua que não porte uma arma de fogo. A gente imagina uma guarda municipal bem armada e bem treinada e com direcionamento maior não só para a segurança do patrimônio, mas também para prover a segurança dos munícipes, que é também uma das obrigações da guarda. Fora isso, as questões mais simples de segurança pública podem ser resolvidas alterações de funcionalidade da Prefeitura. A gente faz uma crítica há muito tempo pelo fato da prefeitura constantemente adquirir mais câmeras para multar o cidadão. Obviamente que todo o infrator que comete uma infração deve ser multado, mas não deveria também estar adquirindo câmeras de segurança? Por que tantas câmeras para multar e tão poucas câmeras para prover a segurança do cidadão?

JC - Também no lançamento da sua candidatura, a senhora falou em "familiocracia" atribuindo isso tanto a João Campos como a Marília Arraes. Como avalia seus possíveis adversários no Recife?

PATRÍCIA - Eu vejo o PT e o PSB no mesmo campo há décadas aqui em Pernambuco. São partidos aliados, então eu não vejo diferença entre os projetos. Eles se colocam dentro de um mesmo campo ideológico e político. Eu venho orientando muito as pessoas que nos seguem a analisar o candidato pelo candidato. Quem é o seu candidato, qual é o passado do seu candidato, o que o seu candidato já fez pela população, já prestou em serviços, se é ficha limpa, o presente do candidato, que é para que
a população possa analisar as pautas que o candidato, quais as bandeiras que ele defende e o futuro do candidato, o que ele tem de proposta para a cidade. Essa é uma forma de o eleitor analisar os candidatos abolindo essa questão de que é filho de alguém, é neto de alguém. A população precisa realmente começar a combater essas capitanias hereditárias, é o que a gente chama de "familiocracias", o político por herança genética. A gente precisa se libertar disso, a população evoluiu, as pessoas estão mais conscientes, então realmente é a hora de abrir espaço para o novo.

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