SAÚDE

Os riscos pela busca da beleza

Quando feitos por médicos habilitados, os procedimentos cosméticos respeitam as margens de segurança. Esse é o primeiro passo para não se arrepender de nada

Cinthya Leite
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Cinthya Leite
Publicado em 13/12/2014 às 13:00
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Quando feitos por médicos habilitados, os procedimentos cosméticos respeitam as margens de segurança. Esse é o primeiro passo para não se arrepender de nada - FOTO: Igo Bione/JC Imagem
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Acanhada e indignada, uma jovem chega a um consultório médico com o desejo de recuperar a aparência saudável que exibia antes de ter recebido uma aplicação na face de polimetilmetacrilato (PMMA). A substância, fadada ao desuso pelos riscos que traz, deve ser descartada quando alguém pensa em aumentar lábios finos e ganhar mais volumes em áreas do rosto, coxas, bumbum ou qualquer outra parte do corpo. Esse caso é contado pela dermatologista Claudia Magalhães, que tem a chancela da Academia Americana de Dermatologia (AAD) e da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). 

“A paciente ficou com a face cheia de nódulos, que chegaram a deformar o rosto devido a uma super-reação ao PMMA, que jamais deveria ser aplicado. Após alguns procedimentos, a pele foi melhorada, mas não voltou a ser o que era antes da injeção da substância”, relata a médica. Quando o assunto é preenchimento cutâneo, o PMMA pode ser tão nocivo quanto o hidrogel, que tem roubado os holofotes no meio médico e na mídia depois que a modelo Andressa Urach foi internada com uma infecção na coxa esquerda decorrente de uma aplicação do produto. Em outubro, uma mulher morreu em Goiânia (GO) depois de passar também pelo procedimento no bumbum. 

Na lista das complicações mais comuns causadas pelo hidrogel e PMMA para fins estéticos, estão inflamações, infecções generalizadas e feridas, que geralmente provocam deformidades e cicatrizes grandes, mesmo após uma série de tentativas para retirar o produto do corpo. “São preenchedores não absorvíveis, que ficam no organismo por muito tempo. Por isso, o paciente pode ter uma rejeição da substância e uma série de problemas a qualquer momento, mesmo após passados muitos anos da aplicação”, sustenta o cirurgião plástico Pablo Maricevich, que aperfeiçoou suas habilidades na especialidade médica que abraça no Instituto Ivo Pitanguy, em São Paulo. 

Ele alerta que, nessa história, o detalhe que mais merece alerta é o tratamento das complicações, que é bastante delicado. Eis o motivo: a retirada do produto é penosa porque ele se entranha nos tecidos sadios. Assim, a cirurgia que tenta extrair do corpo o máximo possível da substância, também destrói pele, gordura e músculos saudáveis.

“Por essa razão, costumo dizer que o caminho tende a ser sem volta para quem se submete a aplicações de hidrogel ou PMMA com o intuito de preencher e aumentar de volume regiões do corpo e da face”, atenta Pablo.

Sobre a gravidade desse tipo de intervenção, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) atenta que não recomenda o uso do hidrogel em procedimentos estéticos, embora a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) admita a utilização do produto (até o limite de 50 centímetros cúbicos) em qualquer região anatômica.

“Por se tratar de material cujos estudos científicos a longo prazo são inconclusivos, entendemos que a utilização do hidrogel deve ser restrita a procedimentos considerados reparadores, assim como o PMMA”, frisa a SBCP em nota. Outro detalhe importante é que o hidrogel não possui registro válido na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), já que a licença de comercialização venceu em março deste ano. A questão é que, segundo o órgão, as unidades que já haviam sido colocadas no mercado pelo importador até a data mencionada e que estejam no prazo de validade podem ser utilizadas, desde que mantidas nas condições adequadas de conservação e observadas demais exigências, como a condução da intervenção por um profissional habilitado.

Preocupada com a gravidade dos acontecimentos recentes que envolveram o uso indiscriminado do produto, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) faz alerta para o risco de aplicações de substâncias na pele por pessoas não médicas. “Os procedimentos estéticos podem parecer simples, mas não são. Para aplicação de substâncias no corpo, é preciso conhecer a anatomia, fisiologia, imunologia e as interações dos medicamentos que são utilizados no processo”, diz a SBD em comunicado oficial.

O presidente da SBD/Regional Pernambuco, Sérgio Palma, orienta que o paciente precisa se cercar de informações antes de se submeter a qualquer intervenção. “É preciso checar se o profissional é um dermatologista ou cirurgião plástico, além de verificar se ele tem registro profissional no conselho de medicina do Estado em que atua. Por fim, deve-se procurar saber se o local onde o procedimento invasivo é realizado tem licença da Vigilância Sanitária para esse fim”, avisa Sérgio. Ele acrescenta que, ao escolher um médico especialista da SBD para a realização de tratamentos através de preenchedores faciais ou lasers, o paciente pode se sentir seguro porque se trata de um profissional que passou por rigoroso processo de treinamento para promover a beleza da pele.

Leia a matéria completa na edição deste domingo do JC Mais 


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