LANÇAMENTO

Discovery Sport, da neve para os trópicos

Utilitário esportivo da Land Rover será produzido no Brasil a partir de 2016

SAULO MOREIRA
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SAULO MOREIRA
Publicado em 25/01/2015 às 9:18
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Utilitário esportivo da Land Rover será produzido no Brasil a partir de 2016 - FOTO: Divulgação
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REYKJAVIK (Islândia) – Num test drive marcado por condições climáticas extremas, a Jaguar Land Rover saiu do óbvio e, debaixo de muita neve, apresentou, nos dias 18 e 19, o novo Discovery Sport. O belo SUV que substituirá a Freelander custará a partir de R$ 180 mil (o modelo mais “básico”) e será fabricado no Brasil, na planta de R$ 750 milhões que a empresa britânica está erguendo em Itatiaia, no Rio de Janeiro. A versão brasileira chega em 2016. Até lá, só importando. De toda forma, o Discovery Sport chega para competir com Audi Q3, Volvo XC 60 e BMW X3. Uma briga de gigantes.

A Islândia é um dos países mais frios do mundo. Estamos falando de uma ilha próxima ao polo norte, repleta de vulcões e montanhas nevadas. Nesta época do ano, seu território, de aproximadamente 100 mil metros quadrados, fica a maior parte do tempo na escuridão. O sol nasce por volta do meio-dia e se põe antes das 16h. Mas, calma, isso não é uma matéria de turismo. É só para você entender a lógica da Land Rover: mostrar que seu mais novo lançamento se dá bem em qualquer terreno. Para isso, nada melhor que um local inóspito, sobretudo no inverno. 

Durante mais de 300 quilômetros, com sua motorização 2.0 turbo a gasolina com 240 cavalos, o carrão respondeu bem a trechos de neve fofa, gelo escorregadio, riachos, pistas sem asfalto e repleta de pedregulhos. Para o Brasil, a expectativa é que haja também uma versão 2.2 turbodiesel de 190 cv. Sobre o carro ser flex, por enquanto ninguém fala. Ao volante de fácil comando e boa empunhadura começa a aventura. A cada mudança do terreno ou do clima, muito comum na Islândia, um simples toque no painel prepara o veículo para o que está por vir.

Vai descer uma ladeira íngreme? É só avisar ao computador de bordo. Suspensão, freios, tração, aceleração, movimento e força se adaptam. Cascalho à frente? Um botão pressionado e adeus derrapagens. Pista inclinada? Nada a temer. O mecanismo garante a estabilidade. No breu de estradas margeadas por grandes blocos de neve, a iluminação se adequava às necessidades do motorista.

Os pneus do Discovery Sport contam com pequenos pinos metálicos para que o carro trafegue sobre o gelo, algo que tem muito a ver com aquelas correntes amarradas nas rodas que a gente vê em filmes americanos. Mas obviamente o mecanismo não estará nos veículos que sairão da fábrica de Itatiaia. O sistema que entende as condições externas chama-se terrain response e prevê também lama, atoleiro e areia, o que, convenhamos, tem muito mais a ver com o Brasil. 

Além do sistema inteligente e seguro, uma tela de 8 polegadas de fácil manuseio também oferece toda sorte de funcionalidades. Alguns exemplos: câmeras para estacionamento, sensores, temperatura para motorista, carona e pessoal de trás e o mais interessante: dados de fácil compreensão sobre a eficiência da condução. No retrovisor do motorista, uma luz amarela acende automaticamente toda vez que um veículo se aproxima de maneira inesperada. É a senha para você tentar mudar de faixa se um apressadinho “cola” em você.

Pouco mais de 20 centímetros menor que as Discovery já no mercado, a Discovery Sport é considerada mais compacta e versátil. Preza pelo conforto e oferece espaço para toda família (5 lugares que podem ser transformados em 7 com mudanças no banco traseiro). Motoristas com mais de 1,80 metro, entretanto, sentem necessidade de mais espaço. Todas as versões são de câmbio automático de nove marchas. Esqueça qualquer tipo de solavanco. 

Esteticamente, o carro é de chamar atenção. Não tem a sofisticação da linha Range Rover Evoque, top da montadora britânica. Mas chega perto, mesmo sendo um off road legítimo. A frente sofre influência do irmão mais requintado, sucesso de vendas entre endinheirados brasileiros. Em relação ao Freelander, é inquestionável o caráter mais arrojado, moderno e bonito do novo possante da Land Rover.

Com tantas ferramentas de conforto e tanto apelo à aventura, resta saber se o comprador brasileiro terá coragem de por seu Discovery Sport em condições tão difíceis como propõe o próprio fabricante. Entre os jornalistas presente ao test drive, a aposta é que não. Da mesma forma que o carro será adaptado ao Brasil, nossa cultura de utilização de SUVs de luxo difere da dos europeus: é bem mais voltada para o conforto da cidade do que para a aventura do lamaçal. Pena.


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