SEGURANÇA

Motociclistas podem se defender contra o cerol

Linha cortante utilizada para empinar pipas é proibida por lei mas continua fazendo vítimas

Editoria de Veículos
Editoria de Veículos
Publicado em 21/10/2016 às 18:07
Fernando da Hora/JC Imagem
Linha cortante utilizada para empinar pipas é proibida por lei mas continua fazendo vítimas - FOTO: Fernando da Hora/JC Imagem
Leitura:

O hábito de empinar pipas com linha de cerol é uma prática antiga, mas proibida por lei justamente por conta dos riscos que oferece. O cerol, mistura de cola e vidro moído, tem a função de cortar a linha de outras pipas que disputam uma espécie de batalha aérea. Só que essa luta no ar faz vítimas em terra, na Região Metropolitana do Recife. Kléber Benício Correia da Silva, 31 anos, teve ferimentos graves no pescoço depois que esbarrou em uma linha com cerol que estava estendida na BR-101, no bairro da Guabiraba, Zona Norte da cidade, semana passada. Tragédias como essa poderiam ser evitadas de duas formas: com fiscalização por parte das autoridades para coibir o uso do cerol e com o motociclista dotados dos equipamentos de segurança vendidos no mercado. Os especialistas são unânimes em dizer que o uso do cerol traz perigo a ciclistas, motociclistas e pedestres.

No caso dos motociclistas o risco é maior por conta da velocidade desenvolvida pela moto. A linha, estendida sobre a pista, forma uma barreira e quando o piloto se choca contra ela, a linha funciona como uma navalha, causando ferimentos graves nos braços e peito do motociclista. Ao atingir o pescoço do motociclista a linha geralmente causa cortes profundos que podem levar à morte ou deixar sequelas graves por conta do rompimento de artérias, veias e nervos.

Os especialistas em segurança dizem que o motociclista pode se prevenir usando equipamentos baratos. Para evitar ferimentos no contato c0com as linhas de cerol o equipamento mais comum, barato e fácil de encontrar é a antena corta-pipa, dispositivo simples que custa a partir de R$ 5 nas casas de acessórios para motocicletas. Feita de aço, a antena corta-pipa é instalada no guidão da moto. Elas têm um gancho afiado na extremidade onde a linha com cerol fica presa e acaba sendo cortada sem atingir o corpo do motociclista.

CEROL

Eduardo Bessa, gerente da loja de acessórios Moto Cruz, no Centro do Recife, diz que a procura pela antena corta-pipa aumenta muito no verão, época em que cresce também a prática de empinar pipas por crianças e adolescentes. “Chegamos a vender cerca de cem antenas por semana”, diz Bessa. Ele afirma ainda que a maior parte dos clientes é de profissionais. A antena, inclusive, já é item certificado pelo Inmetro - órgão avaliador de qualidade de produtos - e são obrigatórias pela resolução número 378 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para quem trabalha como motofretista e mototáxi.

O gerente diz no entanto que muitos motociclistas resistem a usar o equipamento porque acham que a antena deixa a motocicleta feia. “Existem no mercado modelos de antenas feitas em metal cromado e retrátil, que são mais discretas”, explica Eduardo Bessa. O preço das antenas corta-pipa mais sofisticadas ficam em torno de R$ 50. De acordo com ele, existe ainda um outro recurso de segurança que ajuda a reduzir danos. São as balaclavas, também conhecidas por “touca ninja”, específicas para resistir a linhas de cerol. Feitas de tecido grosso, com reforços de fios de aço, as balaclavas de segurança custam em torno de R$ 150. Mas por conta do nosso clima quente elas são pouco utilizadas pelos motociclistas.

Desde 2001 Pernambuco tem uma lei que proíbe o uso do cerol. A legislação prevê multa e punição de pais ou os responsáveis por menores de idade que estejam fazendo uso do cerol. Em caso de acidentes provocados pelo uso da linha com efeito cortante os responsáveis responderão criminalmente. Em Pernambuco, a fiscalização fica por conta da Secretaria de Defesa Social, através das polícias Civil e Militar.

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias