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O que são as hard e soft skills e o que fazer para desenvolvê-las?

Tempos atrás, as habilidades técnicas eram decisivas no crescimento de um profissional na empresa. Mas, com o passar do tempo, as empresas perceberam que isso não era suficiente

Felippe Pessoa
Felippe Pessoa
Publicado em 21/06/2021 às 7:51
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Anthony Shkraba/Pexels
É importante que cada um conheça suas hard e soft skills e saiba como desenvolvê-las - FOTO: Anthony Shkraba/Pexels
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Para os profissionais de RH, especialmente aqueles que trabalham com recrutamento e desenvolvimento de pessoas, falar em skills não é novidade e sim rotina. Mas ainda existem muitas dúvidas do significado e, principalmente, da diferença entre as hard e soft skills e como elas influenciam no processo seletivo e no desenvolvimento profissional. Por isso, é importante que cada um conheça suas hard e soft skills e saiba como desenvolvê-las.

Antes de qualquer coisa, vamos entender o significado de tudo isso; skill é uma palavra inglesa que significa habilidade; hard skills significa habilidades técnicas, enquanto soft skills significa habilidades comportamentais. Separando as aptidões dos profissionais desta forma, o RH consegue traçar o perfil de cada profissional e entender quem tem aderência a uma determinada vaga ou potencial para assumir um novo desafio na empresa.

As hard skills, ou habilidades técnicas, são mais fáceis de identificar e mensurar. Elas podem ser aprendidas e desenvolvidas através de cursos, treinamentos e experiência de trabalho. Na prática são aquelas habilidades que o gestor consegue medir, seja por resultados financeiros ou entregas. Através do currículo, o profissional consegue destacar suas hard skills de maneira cartesiana, citando suas experiências profissionais, seus cursos e idiomas, por exemplo. Essa tangibilidade faz com que o profissional consiga focar e desenvolver uma habilidade técnica de forma mais objetiva.

Já as soft skills são exatamente o contrário, mais difíceis de quantificar e mensurar, porque estão diretamente ligadas as aptidões naturais do indivíduo e sua capacidade de lidar com as emoções. Isso faz com que sejam difíceis de ensinar. Essa subjetividade não pode ser medida através de um curso, um diploma ou um resultado financeiro, mas sim pela convivência diária, pelos detalhes no comportamento, pela forma como o profissional lida com as situações do dia a dia. Exemplos clássicos de soft skills são a liderança, a empatia, a flexibilidade e o espírito de equipe.

Mas será que é possível desenvolver as hard e soft skills? A resposta é sim! Claramente, aprender habilidades técnicas é mais simples e objetivo, através do estudo, principalmente. Mas e as soft skills? Ainda existe uma certa desconfiança de que seja possível desenvolver habilidades comportamentais como liderança, capacidade de resolução de problemas e proatividade, por exemplo. Mas, para ser um profissional completo, não basta entender profundamente de uma matéria; é necessário aliar as habilidades técnicas e comportamentais, as questões práticas e as habilidades interpessoais.

Por isso, muitas empresas lançam mão de treinamentos sobre a cultura da empresa, a postura esperada pelo profissional, palestras sobre comportamento e programas de capacitação que ajudam o profissional a desenvolver habilidades que, por vezes, não são inerentes a eles. E a recíproca pode ser verdadeira quando o profissional tem as habilidades comportamentais esperadas para determinado cargo, mas ainda não têm o conhecimento técnico esperado. Nesses casos, as empresas sugerem cursos profissionalizantes, mentorias ou algum curso de extensão, como um MBA, para acelerar o desenvolvimento daquele profissional.

Tempos atrás, as habilidades técnicas eram decisivas no crescimento de um profissional na empresa. O que importava mesmo era ser especialista, ter conhecimento profundo em sua área de atuação. Mas, com o passar do tempo, as empresas perceberam que isso não era suficiente e que conhecer bem a matéria do trabalho é apenas o primeiro passo para ser um profissional bem-sucedido. Daí, elas começaram a ficar atentas as habilidades comportamentais e perceberam que elas têm forte influência sobre o resultado e a satisfação do profissional na empresa.

As habilidades comportamentais são responsáveis pela melhoria do engajamento, da produtividade e da motivação do profissional; sem elas, o profissional perde o foco e prejudica a inteligência emocional tão importante na hora dos conflitos internos. Em tempos de pandemia, diminuição de quadro, home-office e resultados difíceis de alcançar, os profissionais recorrem a suas fortalezas internas, suas capacidades de colaboração mútua, de flexibilidade e adaptabilidade ao novo. E tudo isso está diretamente relacionado as questões comportamentais de cada um. Tudo isso fez com que as soft skills ganhassem mais força e se tornassem mais decisivas no momento de uma contratação ou promoção. Afinal, habilidades técnicas são mais fáceis e rápidas de desenvolver, já as comportamentais exigem mais tempo e dedicação.

Sendo assim, é essencial para o profissional estudar e ter conhecimento técnico em sua área, mas sempre olhar para seu lado mais subjetivo e buscar desenvolver seus pontos fracos. Nesses novos tempos, as empresas buscam quem tem boa comunicação, quem é colaborativo, se relaciona bem com os colegas de trabalho e tem capacidade de se adaptar ao novo. Fique atento aos feedbacks dos seus gestores e pares e faça um exercício de autoconhecimento. Isso vai te ajudar a ser um profissional mais preparado para os desafios do mercado.

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