A história do afogamento

Publicado em 28/08/2020 às 2:00
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A aplicação da lei no Brasil pode ser maleável como a água. Desde que percorra o leito do riacho constitucional, as possibilidades são múltiplas. Só não convém abusar. Essa metáfora vem à mente quando se observa o curso das decisões tomadas por Sergio Moro ao longo dos últimos anos. Quando tinha a opinião pública favorável, na sintonia ainda das manifestações de 2013, de uma população revoltada com tudo e que apoiava qualquer ação de caça a poderosos, todas as decisões de Moro era aprovadas e confirmadas. Apesar de controversas, ele arranjava uma forma de mantê-las entre as duas margens do rio constitucional e era exaltado como herói. Agora, as mesmas sentenças são consideradas equivocadas. O que mudou, se a lei é a mesma? A boia da opinião pública murchou. O problema de quando você ataca a todos, é que sobra pouca gente para lhe defender. Moro e a Lava Jato avançaram sobre grandes corporações que geravam muitos empregos, sobre o Executivo e sobre o Legislativo. Quando focou no Judiciário, ficou sem aliado nenhum. Os erros, que sempre existiram, ficaram evidenciados. Esses erros, que antes eram negligenciados em nome da satisfação da opinião pública, agora estão fazendo com que o trabalho seja anulado e caia em descrédito.

A aplicação da lei no Brasil é como água. Mas exagerar e achar que pode tudo ali dentro é o que faz você se afogar no longo prazo.

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