O Brasil não ganha

Manifestantes que pedem impeachment e não querem impeachment, ajudando Lula e Bolsonaro a atrapalhar

Bolsonaro anima sua bolha contra os inimigos que querem implantar uma "ditadura comunista". É uma maluquice? Sim, é. Mas quando a esquerda vai às ruas, legitima esse discurso. E pior, como não consegue mobilizar muita gente, ainda passa a ideia de enfraquecimento.

Igor Maciel
Igor Maciel
Publicado em 22/02/2021 às 9:13
Análise
BETO DLC/JC IMAGEM
Manifestantes fazem carreata contra Bolsonaro no Recife - FOTO: BETO DLC/JC IMAGEM
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Os protestos contra Bolsonaro, levados às ruas ontem, têm dois aspectos que mais ajudam o atual presidente do que atrapalham. Primeiro, porque acontecem num momento em que não há qualquer ínfima possibilidade de que um impeachment ocorra.

É bem parecido com a atitude do sujeito que precisa mostrar-se corajoso contra um valentão, daí espera ele não estar olhando para poder desafiá-lo.

Internamente, Lula (PT) tem defendido que é melhor deixar Bolsonaro sangrando até a eleição. Publicamente, já disse que não adianta falar em impeachment do presidente.

A primeira impressão, ao ver militantes tão corajosos nas ruas, é que antes de saírem de casa eles procuraram ter certeza de que não seriam atendidos no que iam pedir.

Aliás, há muito disso na esquerda brasileira, desde quase sempre. Primeiro eles têm certeza de que não vão conseguir o que reclamam, para poder garantir a continuidade da reclamação.

O segundo aspecto é que os protestos funcionam como um reforço do discurso do adversário. E, ou os organizadores dessas manifestações nunca entenderam isso, ou fingem que não entendem.

Bolsonaro anima sua bolha contra os inimigos da esquerda que querem implantar uma "ditadura comunista". É uma maluquice? Sim, é. Mas quando a esquerda vai às ruas, legitima esse discurso e reforça a "preocupação" dos bolsonaristas.

Já foi dito aqui na coluna que o sonho de Bolsonaro é ser candidato contra Lula, para poder confirmar o discurso de luta contra a "ditadura comunista" e vencer.

E o sonho de Lula é ser, ele próprio ou Haddad (PT), candidato contra Bolsonaro em um 2º turno, para poder continuar como o principal reclamante do Brasil e fortalecer o PT no processo.

Queriam protestar contra algo que, realmente, atrapalha o Brasil? Poderiam ter falado da interferência na Petrobras. Mas os sindicatos que participaram das manifestações adoraram a demissão que trouxe prejuízo bilionário à companhia. Lula e Bolsonaro concordam em muito mais coisas do que discordam. 

Nenhum dos dois está interessado em ajudar o País.

Os militantes, nas ruas, até estão, em sua maioria.

Mas vão ajudando a atrapalhar.

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