OPINIÃO

Resultado final da CoronaVac foi visto como real motivo para os inúmeros adiamentos

Há dias, os 78% já haviam sido considerados um fracasso e Dória sequer deu entrevista, outrora tão frequentes, em seu show do meio-dia

Cláudio Humberto
Cláudio Humberto
Publicado em 13/01/2021 às 6:38
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NELSON ALMEIDA/AFP
Questionado sobre se manteria a compra de 100 milhões de doses do imunizante, o Ministério da Saúde optou por não responder - FOTO: NELSON ALMEIDA/AFP
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De ‘98%’ a 50% em 120 dias

A estratégia do marqueteiro João Doria não resistiu aos números finais da eficácia da Coronavac, 50,3%, um sopro acima do mínimo exigido e a anos-luz dos 98% alardeados pelo próprio governador de São Paulo em setembro. O resultado final foi visto como real motivo para os inúmeros adiamentos no anúncio da taxa e para a demora no envio de dados dos estudos clínicos solicitados pela Anvisa para conceder uso emergencial. Há dias, os 78% já haviam sido considerados um fracasso e Dória sequer deu entrevista, outrora tão frequentes, em seu show do meio-dia. Ao enfrentar a realidade de apenas 50% de eficácia, restou ao governo de SP a incrível boa vontade dos jornalistas para justificarem o fiasco. Questionado sobre se manteria a compra de 100 milhões de doses do imunizante, o Ministério da Saúde optou por não responder.

Simone buscará votos

Os senadores do MDB estimam que a reversão de cinco a seis votos prometidos a Rodrigo Pacheco, candidato apoiado pelo PT, garantirá a vitória de Simone Tebet (MS) na disputa pela presidência do Senado. A bancada do MDB, nesta terça (12), concluiu que ela é a opção que mais somará apoio, na campanha. Sua liderança, há dois anos, garantiu a vitória de Davi Alcolumbre (DEM-AP) contra Renan Calheiros (MDBAL). Filha do falecido Ramez Tebet, que ocupou o mesmo cargo, Simone está a caminho de fazer História, como a primeira mulher a presidir o Senado. Alcolumbre não mostrará gratidão: apoia Rodrigo Pacheco (DEM-MG) em obediência ao deputado Rodrigo Maia, inimigo de Jair Bolsonaro. Com a candidatura de Simone Tebet definida, Rodrigo Pacheco já não estará fazendo campanha sozinho. O MDB vai participar da campanha. A dúvida é a unidade do MDB. Renan Calheiros, por exemplo, está entre se vingar de Simone, negando-lhe voto, ou de Alcolumbre, que o bateu. 

Jeitinho

A proposta do PSL a deputados que se recusam a votar em Baleia Rossi, oferecendo-lhes “expulsão consensual” com a garantia de que não perderão os mandatos, é considerada uma fraude à legislação. Além dos suplentes, o MPF dificilmente deixaria de denunciar a ilegalidade.

Calote

O PSB do governador capixaba Renato Casagrande resiste em pagar dívida de campanha do candidato a prefeito de Serra (ES), Bruno Lamas, do seu partido. Os prejudicados prometem ir à Justiça contra o calote.

Humorista

Ao tentar justificar o fiasco da eficácia da Coronavac, apenas 0,38% acima do mínimo, o diretor de pesquisas do Butantan, Ricardo Palacios, disse que “importante não são os números”. Um humorista, o rapaz.

Se programam

Empresas multinacionais já apresentaram planos de vacinação dos seus de empregados, mundo afora, onde não existe SUS e a vacina é paga. O calendário é diferente de governos, mas prevê imunização até dezembro.

Melhor

O secretário de Saúde do governo do Distrito Federal, Osnei Okumoto, disse ontem à coluna que, apesar da baixa eficácia global da Coronovac, a vacina deve ser utilizada no País, junto com a de Oxford/Astrazeneca.

Boicote

Se a Ford abandonará o Brasil, os brasileiros deveriam boicotar os seus produtos. E o governo deveria exigir desses espertalhões a devolução dos R$20 bilhões em impostos que foram dispensados de pagar desde 1999, segundo a Receita Federal. Vão embora porque queriam mais.

Frase

"Estamos próximos... talvez não um consenso, mas um acordo” - Do vicelíder na Câmara, Joaquim Passarinho (PSD-PA) sobre a votação da reforma tributária.

 

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