Opinião

BNDES usa recursos do Tesouro Nacional sem piedade e se lambuza sem acanhamento

O dinheiro público que o alimenta (e a suas "caixas pretas") paga salários de marajá. É a maior média salarial dos bancos federais: o quádruplo do Banco do Brasil e o triplo da Caixa. Leia a opinião de Cláudio Humberto

Cláudio Humberto
Cláudio Humberto
Publicado em 27/07/2021 às 7:27
Análise
Marcello Casal JrAgência Brasil
Moeda Nacional, Real, Dinheiro, notas de real - FOTO: Marcello Casal JrAgência Brasil
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As regalias no BNDES

Banco sem concorrentes, o BNDES usa recursos do Tesouro Nacional sem piedade e se lambuza sem acanhamento. O dinheiro público que o alimenta (e a suas "caixas pretas") paga salários de marajá. É a maior média salarial dos bancos federais: o quádruplo do Banco do Brasil e o triplo da Caixa. E paga inacreditável "participação nos lucros", segundo relatório devastador do próprio governo, elaborado pela Secretaria de Coordenação e Governança das Estatais, do Ministério da Economia. Se o BNDES dá prejuízo, ninguém cobra. Em 2020 teve "lucro líquido" de R$ 20 milhões, mas pagou "participação nos lucros" de R$ 247,7 milhões. Indiferente à crise em tempos de pandemia, o BNDES gasta R$ 2 bilhões com salários de até R$ 76.790 mensais, com média salarial de R$ 31.070. O BNDES usa dinheiro público para bancar os próprios privilégios, como plano de saúde perpétuo, 100% bancado pelos cidadãos que usam SUS. Bolsonaro prometeu "abrir a caixa preta" do BNDES, mas a corporação barrou. O presidente não sabe que a "caixa preta" é o próprio banco.

Doria exige cabeça de secretário

É péssima a relação do governador João Doria (PSDB) com o secretário de Saúde da cidade de São Paulo, Edson Aparecido. Eles se estranham desde quando Aparecido, cujo desempenho é muito elogiado, denunciou que estavam furando a fila de vacinação dentro do Hospital das Clínicas, que é estadual. Enfurecido com denúncia, por ter sido feita publicamente, Doria pressionou o então prefeito Bruno Covas a demitir o secretário. Covas cogitou substituir Aparecido na "virada" para sua segunda gestão, mas decidiu mantê-lo até porque o secretário realizava um bom trabalho. Aparecido foi mantido também por esperteza: se algo desse errado no combate à pandemia, ele seria demitido para "proteger" o prefeito. Com a dificuldade de entender que Aparecido não lhe deve obediência, e sim ao prefeito, Doria o detesta. O sentimento é enfaticamente recíproco.

100 milhões

Já passam de 100 milhões os brasileiros que tomaram ao menos uma dose de vacina contra covid. Correspondem à soma de primeiras doses (96.170.374 pessoas) com doses únicas da Janssen (4.081.342).

#vetaBolsonaro

Bolsonaro sujará as mãos reduzindo o fundão eleitoral de R$ 5,7 bilhões para R$ 4 bilhões. Não deveria perder de vista que tem autoridade para vetar essa tunga pornográfica: sua campanha custou só R$ 2 milhões.

Tutelando

Ainda que o fundão eleitoral de R$ 5,7 bilhões seja inaceitável, é embaraçoso para a democracia brasileira que um ministro do STF possa, monocraticamente, mandar para o lixo uma decisão do Congresso.

Caro holofote

A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) aproveita bem os holofotes da agressão que sofreu. Agora diz ter encontrado "um objeto" em sua sala. Não diz se é um pente ou um porrete, por exemplo. Mantém o mistério.

O que esconde?

Até parece que o governo de Goiás quer esconder algo de muito grave, ao impor sigilo de cinco anos aos gastos na caçada ao bandidão Lázaro Souza. O cidadão tem o direito de saber como seu dinheiro foi gasto.

Irremovível

O MDB Nacional anunciou que "qualquer filiado" que aceitar ocupar o cargo de ministro no governo Jari Bolsonaro será convidado a deixar o partido. "Essa é a posição oficial do MDB", concluiu.

Frase

"Todos já sabem que o parecer do relator já está pronto" - Senador Marcos Rogério (DEM-RO), sobre a retomada da CPI da Covid.

 

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