OPINIÃO

Bolsonaro percebeu no dia seguinte que se excedera nos discursos desastrosos de 7 de Setembro

Aquilo ficou martelando na consciência até que pegou o telefone, pelas 23h de quarta (8), logo ele, que dorme cedo, e recorreu outra vez a um dos poucos políticos que respeita: Michel Temer. Leia os destaques de Cláudio Humberto

Cláudio Humberto
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Cláudio Humberto
Publicado em 10/09/2021 às 7:13 | Atualizado em 10/09/2021 às 7:14
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Jair Bolsonaro, presidente do Brasil - FOTO: Foto: Alan Santos/PR
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Recuo de Bolsonaro esvazia crise institucional

Do tipo que consulta apenas os próprios botões, o presidente Jair Bolsonaro percebeu no dia seguinte que se excedera nos discursos desastrosos de 7 de Setembro. Aquilo ficou martelando na consciência até que pegou o telefone, pelas 23h de quarta (8), logo ele, que dorme cedo, e recorreu outra vez a um dos poucos políticos que respeita: Michel Temer. Ali começou a nascer a "Declaração à Nação" que apagou o fogo na Praça dos Três Poderes e esvaziou a crise institucional. Nesta quinta (9), logo cedo, Bolsonaro voltou a ligar a Temer e o convidou para almoçar: "Vou mandar um avião da FAB te buscar". Político habilidoso, mestre do relacionamento e avesso a confrontos, o ex-presidente já desembarcou em Brasília com a minuta da "Declaração". Temer também ligou a seu ex-ministro da Justiça e ouviu de Alexandre de Moraes que suas decisões nada têm de "pessoal" contra Bolsonaro. O texto representou a reversão total de expectativas e até fez parecer as reações no STF e TSE tão excessivas quanto seus discursos do Dia 7.

Pacificação necessária

Quando telefonou a Temer, na noite de quarta (8), Bolsonaro ouviu que era necessário "pacificar o País". Na sequência, o presidente gravou uma mensagem aos caminhoneiros pedindo o fim da greve. Após longa conversa com Temer, o presidente Bolsonaro pediu tempo para fazer alguma alteração na minuta que lhe foi entregue, mas quase não mexeu no texto. Com seu teor vazado, ele ordenou: "Publique-se". Enquanto Bolsonaro refletia sobre a "Declaração à Nação", o ex-presidente Michel Temer fez uma visita ao correligionário e amigo Ibaneis Rocha, governador do DF, por quem desenvolveu grande admiração.

Quem chora

Enquanto a maioria adorou a nota pacificadora de Jair Bolsonaro, os que sonham com a cadeira presidencial apenas lamentaram. A iniciativa pode dificultar muito aqueles que integram a chamada "terceira via", em 2022.

Recorde

A indústria de Defesa brasileira bateu recorde nas exportações: apenas até agosto o setor registrou US$1,35 bilhão em vendas, maior resultado da História, e expectativa é de que atinja US$2 bilhões até o fim do ano.

Terceira real

Até pouco tempo considerada "fake news", a aplicação de terceiras doses de vacinas cresceu esta semana, no Brasil. Cerca de 36,2 mil brasileiros já receberam a dose de reforço até esta quinta-feira (9).

Asas cortadas

No Código Eleitoral, que, na prática, limita a atuação da Justiça Eleitoral, o voto será senhor. Relatora, Margarete Coelho (PP-PI) disse ser preciso "resgatar o protagonismo popular nas escolhas de seus representantes."

Notícia boa

Confirmando a tendência de queda devido ao sucesso da vacinação e aliada ao feriadão, a média de mortes por covid no Brasil caiu para 466, segundo o Conass. É a menor média diária desde 13 de novembro.

Imunização

O Brasil ultrapassou nesta quinta-feira (9) a marca de 70 milhões de pessoas completamente imunizadas contra a Covid, com duas doses ou com o imunizante de dose única.

Frase

"Nem horror, nem terror, o Brasil precisa de gestor" - João Doria (PSDB), governador de São Paulo, e o mote da chamada "terceira via"

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