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Prisão de Milton Ribeiro: investigação ‘sob sigilo’ é segredo de Polichinelo

O sigilo impede a vítima, que é o pagador de impostos, de sequer acompanhar o caso. Se há suspeita de corrupção envolvendo dinheiro público e outros crimes correlatos, o cidadão deveria ter direito de saber o destino da sua grana

Cláudio Humberto
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Cláudio Humberto
Publicado em 23/06/2022 às 8:48
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Ex-ministro da Educação Milton Ribeiro foi preso nessa quarta-feira (22) em operação da Polícia Federal - FOTO: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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Em nota divulgada na manhã desta quarta-feira (22), sobre a prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, a Polícia Federal informou que a investigação “corre sob sigilo”. Mais uma vez, “segredo de Polichinelo”, expressão que remonta ao teatro da Roma antiga, apontando que já é do conhecimento público o que tacha de “secreto”. O sigilo impede a vítima, que é o pagador de impostos, de sequer acompanhar o caso. Se há suspeita de corrupção envolvendo dinheiro público e outros crimes correlatos, o cidadão deveria ter direito de saber o destino da sua grana. O sigilo também impede o cidadão de avaliar a medida de prisão imposta a integrante de um grupo político que em três meses irá disputar eleição. Apesar do sigilo anunciado, são inúmeras as notícias com detalhes de movimentações processuais, decisões e pedidos na ação judicial. Havia três anos que um ex-ministro de Estado não era preso pela Polícia Federal. Antes disso, esse tipo de manchete era (muito) frequente.

Exonerada, tzarina do setor elétrico

A contadora Marisete Pereira foi exonerada pelo presidente Jair Bolsonaro da secretaria-executiva do Ministério de Minas e Energia (MME), como antecipou o site Diário do Poder. Ela deve ser substituída por Hailton Madureira, qualificado assessor de confiança do ministro Adolfo Sachsida. Marisete mudou para melhor: terá salário bem maior como assessora parlamentar do presidente da Câmara, Arthur Lira. Ganhará bem mais que isso: um trabalho mais discreto e sossegado. Marisete chegou ao cargo pelas mãos do ex-ministro Bento Albuquerque, que, alheio ao assunto, confiou à contadora o comando do setor elétrico. Não há ingênuos nas empresas do setor elétrico, que impuseram ao MME decisões que as favoreceram, em prejuízo dos consumidores. Marisete deve ir para o conselho da privatizada Eletrobras. Conselheiros recebem em geral 10% do salário de um diretor, à volta de R$60 mil.

Boa nova

Bolsonaro fez um discurso pragmático, na reunião do Brics, e ainda ouviu de Vladimir Putin a boa nova de que a Rússia irá redirecionar o comércio aos países do grupo. Ótimo para as importações e exportações do Brasil.

Certo e errado

O STF decidiu ser necessária participação de sindicatos em demissões coletivas. Fez bem, ruim é quando a demissão é individual, a pedido de empregado não sindicalizado
e o ato precisa ter “aval” da pelegada.

Educação

O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub chegou a ser alvo de pedido de prisão, em junho de 2020, do senador Randolfe Rodrigues ao ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do inquérito das fake news.

Na veia

Fernando Holiday (NovoSP) criticou a promessa da campanha do PT de “reconstrução”. “O partido do ex-presidiário esteve no poder entre 2003 e 2016, mas agora é que eles
querem reconstruir o País? Canalhas!”.

Terá apoio?

O senador Marcos Rogério (PL-RO) entregou projeto para dar poderes ao presidente da República de declarar “emergência transitória de combustíveis” e suspender, excepcionalmente, a paridade internacional.

Ciro

No levantamento espontâneo do Paraná Pesquisa (TSE/BR09457/22) no Estado do Paraná, quando o candidato é citado livremente pelo entrevistado, Ciro Gomes nem sequer atingiu 1% das intenções de voto.

Frase

“Aberração jurídica sem paralelo no mundo” Senador Lasier Martins (Podemos-RS) sobre o “inquérito das fake news”, no STF

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