COLUNA ENEM E EDUCAÇÃO

Entidades estudantis criticam MEC por não aplicar Enem em maio de 2021

UNE, UBES e ANPG reclamaram porque o governo federal anunciou Enem em janeiro, em vez de maio, mês escolhido pela maioria dos candidatos que participaram da consulta pública realizada pelo Inep

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 08/07/2020 às 22:49
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Foto: Bobby Fabisak / JC Imagem
Provas do Enem tradicional serão em 17 e 24 de janeiro de 2021 - FOTO: Foto: Bobby Fabisak / JC Imagem
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A União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) criticaram o Ministério da Educação por ter adotado datas do Enem diferentes das que foram escolhidas pelos candidatos na consulta pública. Em nota assinada juntamente com a Associação Nacional dos Pós-graduandos (ANPG), as entidades afirmam que vão buscar meios de continuar discutindo novas datas para a avaliação.

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Em vez de maio de 2021, como havia sido o desejo da maioria dos estudantes que participaram da enquete realizada mês passado, o Inep anunciou que as provas do Enem 2020 serão aplicadas em janeiro e fevereiro. O modelo tradicional, com testes impressos, acontecerá dias 17 e 24 de janeiro. Já o novo formato digital está marcado para 31 de janeiro e 7 de fevereiro. As provas seriam inicialmente em novembro, mas foram adiadas por causa da pandemia de covid-19.

“Nesta quarta, o Inep apresentou dados sobre o Enem. Entre eles, a informação de que a cada quatro candidatos, três têm dificuldades com a internet. Alertamos desde o início de nossa mobilização pelo adiamento da prova que a exclusão digital é um dos problemas que os estudantes brasileiros enfrentam nesse momento de pandemia. Por isso, questionamos a enquete realizada com datas sem critérios e a falta de soluções, por parte do governo, para as dificuldades apresentadas”, destacaram, em nota, a UBES, a UNE e a ANPG.

RESULTADO

Na consulta pública, houve 1,1 milhão de votos (19% do total de inscritos no exame). Desses, 49,7% dos estudantes optaram pela aplicação da avaliação em maio. As datas do Enem impresso em 2 e 9 de maio e o modelo digital em 16 e 23 de maio foram escolhidas por 553.033 candidatos.

A opção de realizar o Enem em janeiro foi a segunda mais votada, com 35,3% dos votos (392.902 estudantes). Para o Enem em dezembro, houve votos de 167.415 candidatos, 15% do total de eleitores.

“Agora, a data escolhida pelos poucos estudantes que conseguiram votar não foi levada em conta. A escolha feita pelo MEC demonstra que não existe um diálogo verdadeiramente democrático com os estudantes, profissionais da educação e saúde”, enfatizaram as entidades.

“Vamos continuar lutando, além de recorrer por todos meios cabíveis, para que haja a formação de uma comissão de crise para discussão das novas datas, que envolva não só reitores e secretários de Educação, mas também representação de estudantes, professores e outros especialistas", complementaram.

FRUSTRAÇÃO

“A sensação é que calaram nossa voz. O desejo da maioria não foi respeitado. O sentimento é de frustração pois esperávamos que se o Enem fosse em maio daria tempo de correr atrás do prejuízo causado pela pandemia”, diz Priscila Araújo, coordenadora do cursinho comunitário Carolina de Jesus, voltado para jovens de baixa renda que funciona na Mustardinha e na Linha do Tiro, bairros da periferia do Recife.

“Fico preocupada com os estudantes concluintes do ensino médio de escolas públicas. O Enem sendo em janeiro vai beneficiar uma classe de alunos que tem poder aquisitivo maior, que estuda nas escolas privadas. Se as provas fossem em maio os jovens da rede pública teriam mais tempo para complementar os conteúdos que não estão sendo trabalhados agora por causa da suspensão das aulas presenciais”, afirma a pró-reitora de ensino de graduação da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Socorro Oliveira.

REITORES E SECRETÁRIOS

Por meio de nota, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), entidade que representa os reitores das universidades federais (são 69 no País), informou que não se manifesta sobre as datas do Enem. Mas destacou a necessidade de que sejam asseguradas condições de biosegurança durante a aplicação das provas. E ressaltou sobre a importância de garantir equidade entre os candidatos. A Andifes foi uma das instituições citadas pelo Inep que foi consultada antes da definição das datas das provas.

Também por meio de nota, o Consed ressaltou que "chegar a uma data ideal para a realização da prova não é uma tarefa fácil, afinal quanto mais tempo o estudante tiver para se preparar e recuperar as perdas causadas pela crise sanitária, melhor". Diz que que a solução encontrada pelo Inep, ao realizar as provas em janeiro, "é a menos danosa, considerando todo o contexto da pandemia".

"Não podemos desconsiderar toda a organização do calendário do ensino superior, afinal o resultado do Enem é usado pelo Sisu, pelo Prouni e pelo FIES, ou seja, para o acesso não apenas a instituições de ensino superior públicas, mas também a instituições privadas. Logo, afetar essa organização poderia causar ainda mais desigualdades no acesso ao ensino superior para os estudantes, especialmente da rede pública".

E complementa: "as datas estabelecidas permitem o acesso de estudantes a instituições de ensino superior públicas e privadas ainda no primeiro semestre de 2021."

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