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Famílias acionam Ministério Público Federal para impedir sorteio para preencher vagas no Colégio de Aplicação da UFPE

Devido à pandemia colégio diz que fará sorteio em vez de prova de seleção. Pais de candidatos pretendem também ingressar na Justiça para barrar o sorteio

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 22/03/2021 às 20:56
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André Nery
Vagas no Colégio de Aplicação da UFPE são bastante disputadas. Cerca de 2 mil candidatos participam da seleção - FOTO: André Nery
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A realização de sorteio para preencher vagas do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em vez de prova de seleção, como sempre aconteceu, está sendo questionada por um grupo de pais de candidatos. No último dia 15, a escola informou que devido à pandemia de covid-19, para não colocar alunos e servidores em risco, deixaria, excepcionalmente este ano, de aplicar os testes. O Ministério Público Federal recebeu 44 representações de pais insatisfeitos com a mudança e notificou a direção do colégio para dar explicações. Paralelamente, alguns pais pretendem ingressar na Justiça com um pedido para impedir o sorteio.

O edital com as regras do sorteio deve ser divulgado nos próximos dias. Serão 56 vagas para o 6º ano do ensino fundamental e 10 para outras séries. As aulas do ano letivo 2021 serão iniciadas em 19 de abril. O sorteio, portanto, terá que acontecer antes dessa data. Metade das vagas é destinada a egressos de escolas públicas.

"Prevíamos ter liberado o edital hoje (segunda-feira, 22), mas a procuradoria da universidade pediu mais tempo. Acredito que amanhã (terça, 23) ou nos próximos dias vamos divulgar", explica o diretor do Colégio de Aplicação, Erinaldo do Carmo. Em outros anos, a seleção teve uma média de 1.800 a 2 mil candidatos.

"Fomos surpreendidos pelo anúncio de que não haveria mais prova e sim sorteio, frustrando centenas de crianças que vêm se preparando para a seleção desde o início do ano passado. O Aplicação informou em outubro que não haveria mais a redação, mas manteria os testes de português e matemática. O Colégio Militar e a Escola de Aplicação do Recife, mesmo com a pandemia, realizaram suas provas, com todos os cuidados e protocolos sanitários. Por que no Aplicação da UFPE isso também não é possível?", questiona o servidor público Fábio Câmara, pai de um garoto de 11 anos que pretende concorrer às vagas do 6º ano.

"O sorteio infringe os princípios constitucionais do concurso público e da isonomia. Vamos até as últimas instâncias para impedir que seja realizado e a seleção, mantida", diz Fábio. Ele iniciou um abaixo-assinado virtual pedindo a reconsideração da decisão de preencher as vagas com sorteio. Até 20h30 desta segunda-feira, 1.013 pessoas tinham assinado o documento online.

RESPOSTAS

Erinaldo do Carmo informa que o colegiado do Aplicação, formado por 76 servidores (54 docentes e 22 técnicos), votou pelo sorteio, por unanimidade. E que a decisão foi referendada, também por unanimidade, pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFPE.

"Temos preocupação, acima de tudo, com a vida dos candidatos e dos servidores que teriam que trabalhar na seleção. Não vamos colocar vidas em risco", diz Erinaldo. Ele destaca que sendo sorteio, a concorrência entre todos os estudantes vai ser igualitária. O colégio já respondeu os questionamentos feitos pelo Ministério Público Federal, que está analisando o caso.

"Muitos alunos entram doentes no colégio. Queria que alguns pais repensassem na situação à qual submetem os seus filhos, em nome de um projeto que é deles, e não das crianças, que passam dois anos sem infância, presos dia e noite se preparando para uma seleção. Isso não deveria fazer parte da infância", observa o diretor do colégio.

"Tanto que alteramos o currículo do 6º ano para incluir teatro, música, dança, artes visuais e educação física com atividades lúdicas porque percebemos como esses alunos entram doentes e com um sentimento de competividade muito forte", diz Erinaldo.

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