Educação

Empresas juniores incrementam currículo e ajudam universitários a entrarem no mercado de trabalho

No país, são 1.250 empresas em cerca de 225 instituições de ensino superior, de acordo com a Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior)

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 27/07/2021 às 15:22
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As empresas criadas pelos próprios estudantes nas suas faculdades aparecem como saída para "driblar" a crise - FOTO: Divulgação
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Diante dos severos efeitos da pandemia de covid-19 sobre a economia brasileira, muitas empresas, na tentativa de permanecerem abertas, precisaram reduzir postos de trabalho e recorreram à dispensa de parte dos seus colaboradores. Somado a isso, as vagas de estágio também sofrem redução na oferta, deixando, em muitos casos, universitários de diversos cursos sem a oportunidade de vivenciar uma experiência próxima da sua prática profissional.

Nesse sentido, as empresas criadas pelos próprios estudantes nas suas faculdades aparecem como saída para “driblar” a crise. As empresas juniores, como são chamadas as iniciativas corporativas dos universitários, replicam todo o universo de uma companhia estabelecida no mercado de trabalho, com cargos e departamentos bem definidos, cujo trabalho é todo desenvolvido pelos estudantes.

No Brasil, o movimento das empresas juniores é bastante forte. São 1.250 empresas em cerca de 225 instituições de ensino superior, de acordo com a Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior), entidade responsável pela regulamentação das companhias no país. Para se ter ideia da força do grupo, em 2020, as EJs realizaram mais de 24 mil projetos de consultoria, movimentando R$ 32 milhões de reais. Esse número representa apenas uma parte do potencial desses projetos.

Em tempos de crise, as companhias universitárias também são opções interessantes para os próprios investidores. Por serem uma empresa sem fins lucrativos, os serviços prestados normalmente têm um preço abaixo do mercado.

 

Empresas juniores em PE

 

No mesmo caminho do Brasil, Pernambuco tem um promissor mercado de empresas juniores. No Estado, diversos cursos, como administração, direito, jornalismo e ciência política já contam com iniciativas do tipo, em universidades públicas e privadas. Merece destaque a empresa júnior dos cursos de Administração e Direito da UPE, a FCAP JR. Consultoria. Há 32 anos no mercado, a empresa foi a primeira EJ criada no Norte e Nordeste e a segunda em todo o Brasil.

“Houve época que a FCAP JR. teve apenas quatro ou cinco membros e atende empresas muito menores. Mas crescemos e hoje contamos com um grande time. Só em 2020, faturamos mais de R$ 1 milhão, e neste ano esperamos superar isso”, afirma Marcela Monteiro, presidente institucional da empresa, ressaltando que todo valor arrecadado a partir das vendas é reinvestido em educação empreendedora do grupo.

Atualmente a empresa possui 54 membros com idades que variam entre os 18 e 22 anos, os quais ocupam cargos de consultores, gerentes e diretores, desenvolvendo o lado operacional, tático e estratégico de uma empresa, buscando adquirir experiência profissional.

Para atingir os objetivos, a FCAP JR. Consultoria firmou parceria com a maior empresa de consultoria e auditoria do mundo: a Deloitte. “Já realizamos alguns eventos de marketing juntos, além de recebermos mentoria da Deloite, que nos auxilia tanto nos nossos projetos, com tutorias, como capacitando diretamente nossos membros”, diz Marcela.

A união entre as companhias já rendeu excelentes resultados. Isso porque o desempenho da FCAP JR. lhe garantiu um bom posicionamento no meio empresarial, fazendo com que o mercado passasse a ter interesse nos empresários juniores. Por isso, um banco de talentos foi desenvolvido para intermediar o contato entre os universitários e o mercado de trabalho.

“Só em 2021, resolvemos estruturar, de fato, um banco de talentos. Antes, o contato com as empresas era um pouco diferente, mas já tínhamos uma taxa de empregabilidade de 100%, ou seja, todo mundo que saia da FCAP Jr. foram contratadas por algum local”, conta Marcela. “Atualmente, firmamos parcerias com cerca de seis empresas, que têm acesso aos currículos dos nossos membros que estão de saída, além de terem relacionamento direto conosco para a contratação deles”, explica ela.

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