O ungido

Danilo Cabral: quem é o candidato do PSB em Pernambuco?

Nome do PSB já foi um dos coringas do ex-governador Eduardo Campos

Jamildo Melo
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Jamildo Melo
Publicado em 04/02/2022 às 14:05 | Atualizado em 28/06/2022 às 15:34
Chico Ferreira/Divulgação
Para Danilo Cabral, momento político não é propício para paralisação das atividades no Senado e na Câmara - FOTO: Chico Ferreira/Divulgação
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Atualização: na segunda 14 de fevereiro, após Paulo Câmara (PSB) oficializar nome de Danilo Cabral (PSB).

Na virada do ano, bastante leve e alegre, em um almoço no Palácio do Campo das Princesas, o governador Paulo Câmara saciava minimamente a curiosidade dos interlocutores em torno do nome a ser escolhido pelo PSB, afirmando que tratava-se de alguém conhecido dos repórteres de política e também um quadro político.

O destaque na palavra "político" soava como um reposicionamento da Frente Popular, depois que o ex-governador Eduardo Campos havia decidido com sucesso lançar técnicos, como o ex-prefeito Geraldo Julio e o próprio Paulo Câmara, para disputar e conquistar cargos majoritários.

Caso seja confirmado como o novo indicado pelo PSB para a disputa eleitoral, o deputado federal Danilo Cabral pode representar este reposicionamento do PSB, por misturar o lado técnico, na condição de servidor de origem do Tribunal de Contas do Estado (TCE), ao lado da atuação política, tendo inclusive já cumprido a missão de líder do PSB na Câmara dos Deputados.

Na semana passada, fontes do PSB já confirmavam ao Blog o nome de Danilo Cabral como candidato ao governo do Estado de Pernambuco.

FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
Danilo Cabral - FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM

"Danilo pode ser uma revelação a frente do governo. Ele tem capacidade política, de dialogar. Não é a toa já foi líder da bancada, não se chega neste posto sem uma boa capacidade de dialogar", diz uma fonte do blog.

Curiosamente, Danilo esteve na bica para ser indicado ao mesmo cargo na sucessão de Eduardo Campos. Ele era um dos quatro curingas que Eduardo Campos escalou para confundir os adversários e a imprensa política, antes do prazo final da escolha. Depois de um media training, Danilo Cabral e Tadeu Alencar andavam, falavam e se vestiam como réplicas de Eduardo Campos, mas o escolhido acabou sendo Câmara.

Começo com Eduardo Campos

Analistas da cena local com mais idade de batente relembram que Danilo Cabral e Milton Coelho começaram trabalhando ao lado de Eduardo Campos, quando ele era secretário do gabinete civil do avô, Miguel Arraes. Milton Coelho gramou como secretário de gestões socialistas anos e anos, antes de ser premiado como suplente de João Campos e tornando-se deputado federal em Brasília.

Danilo Cabral já foi secretário de Educação do primeiro governo de Eduardo Campos e depois virou secretário de Cidades, quando um amplo rodízio foi promovido para oxigenar a segunda gestão. Se a educação funcionou como vitrine, tornando-o conhecido diante do professorado do Estado, a passagem pela secretaria de Cidades teve o naufrágio do projeto de navegabilidade, tocado pela pasta, lembram os críticos do socialista.

"Danilo nunca foi suficientemente cobrado sobre sua passagem na Secretaria de Cidades, em relação à chamada Cidade da Copa, às estações de BRT, à mobilidade etc. Chegou a vez dele. O povo da centro-direita não tem tradição de cobrança. O PT sim. É bom o socialista de Surubim preparar o couro para suportar o bombardeio", afirma um coronel amante da política.

 

Secretário de João Paulo

Danilo Cabral, cumprindo missão de Eduardo Campos, trabalhou como secretário de Administração no governo João Paulo no Recife. Ele era os olhos e ouvidos do neto de Arraes por lá, antes que o socialista vislumbrasse a possibilidade de dar um bote e tomar o poder dos antigos aliados. Campos desenvolveu a tese de que os petistas só faziam brigar e não cuidavam da cidade. Foi ai que lançou o técnico do TCE Geraldo Julio.

POLÍTICOS João Paulo, José Chaves, Paulo Câmara e Danilo Cabral
POLÍTICOS João Paulo, José Chaves, Paulo Câmara e Danilo Cabral - POLÍTICOS João Paulo, José Chaves, Paulo Câmara e Danilo Cabral

A estrada no PSB para Danilo Cabral começou a ser palmilhada uma geração anterior. O pai dele, Adalberto Farias, foi deputado estadual e depois ingressou no Tribunal de Contas do Estado.

Tio usineiro e abraço em Arraes

Antes desta união entre Eduardo e Danilo, um tio de Danilo Cabral, o empresário Antônio Farias, usineiro, havia sido decisivo para a volta de Arraes do exílio, com sucesso. Na sua reinserção na política local, Arraes teve o apoio do tio de Danilo Cabral, quebrando arestas junto ao PIB estadual e com o pessoal do setor de açúcar. Com prestígio e bom conceito, Antônio Farias era ex-prefeito do Recife e acabou se elegendo como Senador de Arraes, em 86. Cerca de um ano depois de eleito, morreu de infarto, abrindo espaço para o suplente Ney Maranhão.

Nesta mesma campanha de 89 pode estar uma chave para a escolha de Danilo Cabral, como nome do PSB. No caso, a união dos nomes de Lula e Arraes. Naquela campanha, Brizola chegou a vir ao Recife para tentar tirar o apoio de Arraes, então no MDB, a Lula. Arraes negou o apoio afirmando que já havia firmado compromisso com o petista. Um gesto que Lula jamais parece ter esquecido.

Danilo Cabral é nome a ser trabalhado 

O fato de não ser conhecido, para uma disputa majoritária, pode não ser problema. Os técnicos da área contam que é até mais fácil construir uma imagem quando o candidato não é conhecido. "O argentino ten muito mais informações do que se pode imaginar", diz um aliado, falando que Marília Arraes era conhecida por conta do recall, na pesquisa do PT.

"Que adianta ser conhecido e não poder ir para o guia defender seu candidato, como aconteceu no Recife com Geraldo Julio e João Campos? Conhecimento também gera desgaste", afirma outro.

No plano pessoal, as pessoas citam sempre que trata-se de uma pessoa de boa conversa e bom trato. "Danilo é leve, tem trânsito com todo mundo, respeita as outras pessoas, sempre bem humorado e festeiro, além de torcedor do Náutico"

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